Manaus inaugura nova era na gestão de resíduos orgânicos com equipamentos inéditos
Capital passa a tratar 120 toneladas de orgânicos por dia e avança na política ambiental
Manaus dá um passo histórico na política ambiental ao implantar um sistema inédito de coleta exclusiva de resíduos orgânicos. Nesta quarta-feira (21/1), a Prefeitura entregou quatro compactadores estacionários que passam a operar nas principais feiras da capital, marcando uma virada estrutural na forma como a cidade lida com esse tipo de resíduo.
Os equipamentos, instalados inicialmente nas feiras da Banana, Manaus Moderna, do Produtor e do Japiim, funcionam acoplados ao sistema roll on roll off e foram direcionados a esses pontos por critérios técnicos, como o alto volume diário de descarte orgânico. A meta é expandir gradualmente o modelo para outras áreas da cidade.
Com a nova estrutura, Manaus passa a tratar corretamente cerca de 120 toneladas de resíduos orgânicos por dia — aproximadamente 3.600 toneladas por mês. Esse tipo de material é o principal responsável pela geração de chorume e pela emissão de gás metano, um dos maiores vilões do aquecimento global.

Segundo o prefeito David Almeida, a separação na origem representa um divisor de águas para a capital.
“Esse material orgânico é o principal gerador de chorume e de gás metano. Quando fazemos a separação correta, transformamos um problema ambiental histórico em solução sustentável, com impacto direto na limpeza urbana e na proteção do meio ambiente”, afirmou.

Tecnologia a favor do meio ambiente
Os compactadores possuem compartimento exclusivo para retenção do chorume, impedindo que o líquido contamine o solo e o lençol freático. Todo o resíduo coletado será encaminhado à Central de Compostagem do município, onde será transformado em adubo.
O composto orgânico será utilizado no paisagismo urbano, beneficiando praças, parques, jardins e canteiros centrais da cidade, fechando um ciclo sustentável dentro da própria gestão pública.

Para o secretário municipal de Limpeza Urbana, Sabá Reis, a iniciativa também representa uma mudança cultural.
“Estamos falando de um trabalho diário, que exige investimento, tecnologia e dedicação das equipes. Quando o poder público dá o exemplo, a cidade responde. Esse novo sistema traz mais dignidade, organização e melhora real nas condições sanitárias das feiras”, destacou.
Política ambiental estruturante
A implantação do novo sistema integra um conjunto mais amplo de ações ambientais da gestão municipal. Entre elas estão as ecobarreiras instaladas nos rios e igarapés da cidade, que já impediram que mais de 8 mil toneladas de lixo chegassem ao rio Negro e, posteriormente, ao oceano Atlântico.
Outro marco é a construção do primeiro aterro sanitário da região Norte com padrão ambiental completo, seguindo as resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), com sistema de impermeabilização que impede a infiltração de chorume no subsolo.
Impacto global e créditos de carbono
As ações também dialogam com uma estratégia de longo prazo. Manaus possui projetos cadastrados para geração de créditos de carbono, com potencial estimado de cerca de US$ 500 milhões ao longo dos próximos seis anos, já em processo de validação por organismos internacionais.

“Ao reduzir a emissão de gases como o metano e melhorar a destinação dos resíduos, Manaus passa a ocupar posição estratégica na agenda ambiental, com benefícios ambientais, sociais e econômicos”, reforçou o prefeito.
A iniciativa consolida os eixos de sustentabilidade e gestão urbana da administração municipal. Com planejamento, decisão política e execução, a capital amazonense transforma responsabilidade ambiental em resultados concretos para a população.
Fotos: Antonio Pereira/Semcom


