Direitos existem, acordos permanecem: os sinais de Sabá sobre a sucessão
Ao tratar a disputa como legítima, presidente do PDT-AM reforça que memória política, lealdade e compromissos firmados seguem como eixo central do jogo sucessório no Amazonas
Mais do que reiterar alianças já conhecidas, a entrevista do presidente estadual do PDT no Amazonas, Sabá Reis, ao programa Meio-Dia, apresentado por Jefferson Coronel, na Onda Digital, revelou um movimento político de leitura fina e destinatário ampliado. Ao falar sobre sucessão, Sabá não se limitou a personagens específicos, mas reposicionou o debate no terreno dos acordos, da memória política e da lealdade entre aliados.
Questionado sobre a possibilidade de o vice-governador Tadeu de Souza disputar o governo do Estado, caso venha a assumir o cargo com uma eventual saída do governador Wilson Lima para concorrer ao Senado, Sabá adotou um discurso inicialmente protocolar. “Ele tem todo o direito de disputar a eleição”, afirmou.
A sequência da resposta, no entanto, revelou o verdadeiro peso político da fala.
O direito existe, mas os acordos também
Sabá Reis lembrou que o vice-governador conhece profundamente as circunstâncias políticas que o levaram ao posto que hoje ocupa. “Ele sabe muito bem as condições em que foi indicado pelo David Almeida para ser vice-governador na chapa do Wilson Lima”, disse.
A declaração foi interpretada como um lembrete público de que, no jogo sucessório, direitos formais não se dissociam de compromissos políticos previamente firmados. Ao reforçar esse ponto, Sabá recoloca o debate no campo da coerência e da lealdade, elementos centrais nas articulações de alto nível.
O dirigente do PDT acrescentou ainda que, até agora, em todas as conversas que manteve com Tadeu de Souza, o vice-governador tem afirmado que apoiará uma eventual candidatura do prefeito David Almeida ao governo do Amazonas.
Apoio do PDT é pano de fundo da articulação
O apoio do PDT-AM a uma eventual candidatura de David Almeida, vale lembrar, não é um movimento isolado do diretório estadual, mas resultado de uma articulação construída no plano nacional. A confirmação pública desse alinhamento foi feita pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi, na última sexta-feira (6/2), durante sua passagem por Manaus, quando veio à capital para empossar Sabá Reis no comando estadual da legenda.
Nesse contexto, o apoio pedetista aparece como cenário consolidado — conhecido, pactuado e já anunciado — e não como novidade política. O que se destaca, portanto, não é a reafirmação de alianças, mas a forma como Sabá delimita o campo do debate sucessório: direitos são reconhecidos, mas os acordos permanecem como referência.
A frase que fecha e sinaliza
Ao encerrar o assunto, Sabá Reis arrematou com uma frase curta, mas carregada de simbolismo político: “Pelo que eu sei, o nome dele é Tadeu de Souza, não Judas Tadeu”.
Mais do que retórica, a fala funciona como um marco público de posicionamento. Ao reconhecer direitos, Sabá também reafirma limites. E deixa claro que, na disputa que começa a se desenhar no Amazonas, acordos não são detalhes menores — são parte essencial da história que antecede qualquer projeto de poder.


