DESTAQUEMEIO AMBIENTE

Cheias avançam no interior do Amazonas e 35 municípios já estão em estado de alerta

Rios Negro, Solimões e Lago Tefé mantêm curva de alta e governo projeta impactos ampliados nas próximas semanas

O ciclo das águas ganhou força no Amazonas neste fim de fevereiro de 2026. Com os níveis do Rio Negro, do Rio Solimões e do Lago Tefé em elevação contínua, o governo estadual já projeta impacto direto em 35 municípios. A cheia, que faz parte do calendário hidrológico amazônico, apresenta neste ano uma curva consistente de alta, acendendo alerta em regiões ribeirinhas e áreas de várzea.

Segundo a Defesa Civil do Amazonas, o monitoramento indica tendência de continuidade na elevação dos níveis, o que pode ampliar o número de comunidades atingidas nas próximas semanas.

Em Manaus, o rio Negro atingiu 24,47 metros, acumulando mais de 5,5 metros desde o início do ciclo de cheia. A marca supera os registros dos últimos quatro anos para o mesmo período, sinalizando um comportamento acima da média recente.

No Alto Solimões, em Tabatinga, o nível chegou a 11,37 metros. Já no médio curso, o Lago Tefé alcançou 16,81 metros, mantendo ritmo de subida observado ao longo de fevereiro.

Outros pontos estratégicos da bacia, como o rio Japurá em Maraã e o rio Amazonas em Itacoatiara, também registraram elevação, refletindo o volume de chuvas nas cabeceiras e o efeito acumulado ao longo do sistema fluvial.

Municípios em emergência

Três municípios — Itamarati, Eirunepé e Boca do Acre — já decretaram situação de emergência para viabilizar assistência e apoio logístico às famílias afetadas.

A estimativa estadual indica que cerca de 173 mil famílias podem ser impactadas caso o ritmo de elevação se mantenha. Isso representa mais de 690 mil pessoas, muitas delas dependentes do transporte fluvial para acessar serviços essenciais como saúde, educação e abastecimento.

Impactos que vão além da inundação

No interior do Amazonas, o rio estrutura a vida cotidiana. Ele é estrada, comércio e conexão com centros urbanos. Com a subida das águas, os principais riscos envolvem alagamento de bairros ribeirinhos; interrupção temporária de aulas; dificuldades logísticas no transporte de alimentos e insumos; e pressão sobre infraestrutura urbana em áreas baixas.

Pequenas variações diárias acumulam efeitos significativos quando prolongadas por semanas.

Ciclo natural sob cenário mais instável

A cheia é fenômeno natural da região. No entanto, a alternância recente entre estiagens históricas e enchentes expressivas revela maior instabilidade no comportamento hidrológico.

Após enfrentar secas severas em 2023 e 2024, o estado agora reorganiza sua logística para lidar com o cenário oposto. Especialistas apontam que eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes, exigindo planejamento permanente e capacidade de resposta mais rápida.

Estado reforça monitoramento

O governo do Amazonas mantém acompanhamento diário dos níveis hidrométricos e articulação com prefeituras para antecipar medidas preventivas. Equipes estão em prontidão para envio de ajuda humanitária e reforço logístico caso novos decretos de emergência sejam formalizados.

No Amazonas, o ciclo das águas é tradição.
Mas em 2026, a cheia avança sob vigilância reforçada — e sob a urgência de respostas estruturadas.

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