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Zona Franca aos 59 anos reafirma força econômica e projeta futuro verde e tecnológico

Com recorde histórico de faturamento, modelo consolida protagonismo nacional e se prepara para a economia do século 21

A Zona Franca de Manaus chega aos 59 anos não apenas comemorando números, mas reafirmando propósito. Criada pelo Decreto-Lei nº 288, em 1967, a política pública que mudou o destino da Amazônia atravessa décadas de crises fiscais, reformas tributárias e transformações tecnológicas mantendo sua essência: gerar desenvolvimento preservando floresta.

Em 2025, o Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou o maior faturamento de sua história: R$ 227,67 bilhões. A média mensal de empregos diretos superou 131 mil postos formais — quase 7% a mais que no ano anterior — sustentando uma cadeia que ultrapassa meio milhão de empregos diretos e indiretos no país.

Para o superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, os números não são acaso, mas resultado de segurança jurídica e modernização administrativa.

“O projeto Zona Franca de Manaus é resiliente e estratégico. Estamos trabalhando dia e noite para modernizar a Suframa, desburocratizar processos e adaptar a ZFM para a economia do século 21, que é verde e tecnológica.”

A declaração sintetiza o momento: não se trata apenas de manter incentivos, mas de reposicionar o modelo diante das novas exigências globais.

Reforma Tributária e blindagem constitucional

Um dos pontos mais sensíveis para o modelo nos últimos anos foi a Reforma Tributária. A manutenção do princípio da equivalência competitiva garantiu que a Zona Franca atravessasse a transição para o novo sistema tributário sem perder seu diferencial.

Nos bastidores de Brasília, a articulação envolveu governo federal, bancada parlamentar e setor produtivo. O resultado preserva o ambiente de confiança necessário para novos investimentos.

Para Bosco Saraiva, o maior legado da atual fase é justamente essa estabilidade. “O maior legado que deixamos é a força da nossa economia, que mantém mais de 500 fábricas e garante a subsistência de milhões de pessoas na região”, afirma.

A fala reforça a dimensão social do modelo — muitas vezes reduzido apenas à questão fiscal.

Modernização produtiva e competitividade global

A atualização de Processos Produtivos Básicos (PPBs), como no segmento de condicionadores de ar — hoje o segundo maior polo de fabricação do mundo — simboliza a capacidade de adaptação industrial.

A Zona Franca não está parada no tempo. Ela dialoga com indústria 4.0, inovação tecnológica e integração global de cadeias produtivas.

Essa modernização é central para manter competitividade frente à concorrência internacional.

Economia verde como nova fronteira

Após a COP30, realizada no Brasil no ano passado, o debate ambiental deixou de ser promessa e passou a ser compromisso permanente. Nesse novo cenário, a Iniciativa ZFM+ESG — lançada em parceria com o setor industrial — projeta o Polo Industrial de Manaus como referência nacional em economia verde.

A estratégia vai além do discurso. Ao concentrar atividade produtiva na capital e gerar empregos formais, o modelo contribuiu para preservar 98% da cobertura florestal original do Amazonas, segundo dados amplamente divulgados pelo setor.

Mais do que um polo industrial, a Zona Franca consolida-se como indústria aliada da floresta — integrando desenvolvimento econômico e preservação ambiental em um dos biomas mais estratégicos do planeta.

Interiorização e responsabilidade regional

O Plano de Interiorização e Regionalização do Desenvolvimento amplia o alcance do modelo para além da capital, articulando Suframa, Sudam e Banco da Amazônia. O objetivo é descentralizar oportunidades e integrar a Amazônia Ocidental de forma mais equilibrada; e o desafio é expandir desenvolvimento sem perder o eixo sustentável.

Um patrimônio nacional

Aos 59 anos, a Zona Franca não celebra apenas faturamento recorde. Celebra permanência. “A defesa da ZFM é a defesa dos milhares de empregos que sustentam nossas famílias e a garantia de um futuro de desenvolvimento e dignidade para nossa gente”, resume o superintendente Bosco Saraiva. A frase sintetiza o espírito do modelo: desenvolvimento econômico como instrumento de estabilidade social e preservação ambiental.

Na contagem regressiva para os 60 anos, a Zona Franca reafirma seu papel como patrimônio do Brasil — não apenas do Amazonas.

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