Unidade de saúde fluvial leva serviços de saúde e realiza testes para Covid-19 em comunidades ribeirinhas

A estimativa da Semsa é de que pelo menos 4 mil pessoas, de 40 comunidades ribeirinhas da capital, sejam atendidas em nove dias de viagem que a unidade fluvial fará pela zona rural

Como parte das ações de enfrentamento ao novo coronavírus, a Unidade Básica de Saúde Fluvial Dr. Antonio Levino chegou nesta sexta-feira, 29/5, à comunidade Bela Vista do Jaraqui, a maior entre as 15 da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, no rio Negro. Além dos serviços básicos de saúde oferecidos pela Prefeitura de Manaus, as quase cem famílias da área tiveram acesso a testes rápidos para a Covid-19.

Foto – Alex Pazuello / Semcom

“Onde houver um cidadão manauara, vamos levar os serviços básicos da prefeitura, principalmente, em um momento que nos exige forças para enfrentarmos esse vírus. Aproveito para agradecer também aos nossos valorosos profissionais de saúde, guerreiros e guerreiras que estão na linha de frente desse combate, no caso da UBS Fluvial, até abdicando de tempo com suas famílias, para levar saúde aos cantos mais distantes Manaus”, declarou o prefeito Arthur Virgílio Neto.

A UBS Fluvial iniciou a missão de levar os serviços de saúde às comunidades na última quarta-feira, 27/5, e seguirá em viagem até a próxima quinta-feira, 4/6. A estimativa da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), responsável pelo serviço, é de que pelo menos quatro mil pessoas, de 40 comunidades, sejam atendidas em nove dias de viagem que a unidade fluvial deve percorrer.

Foto – Alex Pazuello / Semcom

“Essa pandemia é algo novo, que estamos aprendendo a lidar. Nesse primeiro momento, nossa prioridade são pessoas que apresentam alguma síndrome respiratória, sintomas como gripe e falta de ar, sem esquecer os demais, claro. Esse período é complicado, porque mesmo os ribeirinhos estando em localidades distantes, têm o costume de ir a Manaus. É preciso todo um cuidado”, observou o diretor da UBS Fluvial, Assis Cavalcante, servidor da Semsa há 15 anos, reforçando ainda o agradecimento aos colegas de saúde.

Entre os demais serviços oferecidos pela UBS Fluvial, além de testes para a Covid-19, estão atendimentos médicos, pré-natal, entrega de medicação, vacina contra a influenza, exames de gravidez, testes de HIV e sífilis, entre outros. A equipe conta com 14 profissionais de saúde, incluindo médico, enfermeira, técnicos de enfermagem e farmacêutico.

Em situação de alerta

A comunidade Bela Vista do Jaraqui fica há, aproximadamente, uma hora de lancha da área urbana de Manaus, partindo da marina do Davi, no bairro Ponta Negra, zona Oeste da cidade. No local, residem, segundo os líderes comunitários, 108 famílias, que somam mais ou menos 300 pessoas, das quais pelo menos 40% apresentaram algum sintoma, como febre, tosse e dor de cabeça.

Leonildo Pinheiro Lima, 66, é um desses moradores. Morando na comunidade há 28 anos, ele fez o teste para Covid-19 e resultou negativo. Acompanhado da esposa, dona Maria Francisca, aproveitou para fazer outros exames e receber medicações. Além de cuidar, ele defende que o melhor “remédio” para evitar o contágio da doença, é reforçar a higiene e manter o isolamento social.

“Quando adoecia, ia a Manaus, agora não, já se resolve tudo por aqui, graças a Deus. E com relação a essa maldita doença, querendo ou não, as pessoas devem ficar em casa, porque é de extrema necessidade. Se estiver transitando, você tem mais chance de pegar. Já tive sintomas, fiz o teste de novo, e agora a contraprova veio negativa”, desabafou, com alívio, após receber o exame e remédios das mãos do farmacêutico da UBS, Alacide Moreira.

A líder da comunidade, Lourdes Souza Góes, nasceu no local e trabalha com produtos artesanais e de higiene. Para ela, os serviços de saúde dão uma sensação de segurança às pessoas. “Os ribeirinhos necessitam muito, pois é uma vez por mês que tem médico. Eu acho que melhorou um pouco a situação na cidade [Manaus], então a mensagem que dou é, fique em casa! Aqui na nossa comunidade, se vocês perceberem, temos duas placas dizendo que é proibida a entrada de pessoas que não moram na comunidade”, relatou, preocupada.

Segundo os próprios moradores, a comunidade do Jaraqui possui quase 100 anos, desde que chegaram os primeiros residentes do local. “Com esse retorno da Unidade Básica de Saúde (UBS) Fluvial nessa comunidade, isso vai dar um resultado positivo, pois tínhamos casos suspeitos de Covid-19 e, com isso, teremos a oportunidade de testar para saber se em nossa comunidade temos casos positivos e prestar o melhor serviço de assistência de saúde, para fazer esse tratamento e ajudar no enfrentamento da doença”, relatou Raimundo Leite de Souza, presidente da associação, que engloba a comunidade do Jaraqui.

Fazendo jus ao nome “bela vista”, em alusão ao “vizinho” rio Negro, os moradores da comunidade se sentem parte de Manaus, sobretudo quando há presença do poder público. A comunidade possui uma escola municipal e uma área para serviços rápidos de saúde, mas é com a presença dos servidores, como o agente ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Francisco Nilson, que visita as comunidades de Manaus, que se sentem mesmo parte da família.

“Particularmente, como eu já trabalho há 25 anos na área do meio ambiente, em parceria com outras repartições da prefeitura, focado na saúde e na educação, eu fico feliz com a nossa prefeitura dando assistência e hoje não deixando faltar nesse momento tão crucial, não só na área urbana, mas sim aos ribeirinhos que estão mais distantes da cidade. A gente conhece o lado urbano, mas não conhece o lado ribeirinho, do morador que mora distante. E como eu já estou familiarizado, as pessoas sentem o nosso carimbo de servidor público vindo até elas”, descreveu o agente ambiental, que conduziu a equipe desta reportagem até a localidade.

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