Arte e consciência ambiental ganham voz nas quebradas de Manaus
Workshop Urbanos da Amazônia mobiliza escola pública em torno da educação ambiental, da reciclagem e do protagonismo cultural periférico
Nesta terça-feira (25), a partir das 13h, a Escola Estadual Nathália Uchôa, em Manaus, se transforma em território de escuta, criação e resistência ambiental com a realização do 4º Workshop Urbanos da Amazônia, que traz como tema: Educação Ambiental e Arte Sustentável. A atividade reúne educadores, artistas, coletivos e articuladores comunitários que vêm ressignificando seus espaços de origem por meio da arte, da reciclagem e da consciência ecológica.
Mais que um encontro formativo, o workshop se apresenta como um espaço de diálogo vivo entre juventudes, periferias e território amazônico. Por meio de uma roda de conversa aberta, os participantes compartilham experiências reais de quem transforma lixo em linguagem artística, abandono em pertencimento e vulnerabilidade em potência criativa.
Entre os convidados está Kennedy Oliveira, ativista ambiental, comunicador popular, produtor e gestor cultural do coletivo Casa Verde, além de coordenador do Ciclo Favela e da Rede Perifa Conecton. Sua trajetória cruza comunicação comunitária, sustentabilidade e mobilização de jovens das periferias, demonstrando como a cultura pode ser uma ferramenta concreta de proteção do território e de formação de consciência ambiental.
A roda também conta com a presença de Sued Felix, educadora, articuladora cultural e coidealizadora do Coletivo Jikitaia, um grupo indígena e periférico que desenvolve ações formativas voltadas para juventudes urbanas. Por meio do coletivo, Sued atua no fortalecimento da identidade, na reconexão com saberes ancestrais e no estímulo a práticas sustentáveis nos próprios bairros onde a exclusão histórica se faz mais evidente.
A mediação fica sob responsabilidade de Sarah Campelo, gestora e articuladora cultural, licenciada em Artes Visuais pela UFAM, criadora do projeto Arte no Busão e cofundadora do Coletivo Arte Ocupa. Reconhecida por sua atuação em ocupações artísticas de espaços públicos, Sarah conduz o diálogo a partir da arte como ferramenta de educação, pertencimento e transformação social.
A proposta do encontro é provocar reflexões sobre como a arte pode atuar como uma linguagem de educação ambiental acessível, potente e conectada com a realidade das periferias — desde a reciclagem de materiais até a criação de narrativas visuais que reafirmam o orgulho de ser amazônida.
Ao levar essa discussão para dentro de uma escola pública, o projeto Urbanos da Amazônia amplia seu alcance e reforça a ideia de que a educação ambiental não nasce apenas nos livros ou nas conferências internacionais, mas principalmente nos territórios marginalizados, onde a crise ambiental também se manifesta de forma mais direta.


