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Marina Silva lança em Manaus programa que paga manejo do pirarucu e fortalece bioeconomia

Iniciativa anunciada nesta quinta-feira beneficia 5 mil pessoas no Amazonas, amplia renda e abre novos mercados com certificação orgânica

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, esteve em Manaus nesta quinta-feira (26) para lançar o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu), iniciativa inédita que passa a remunerar diretamente comunidades tradicionais e indígenas pelo manejo sustentável da espécie.

O anúncio marca um avanço na política ambiental brasileira ao transformar conservação em renda, reconhecendo o manejo do pirarucu como um serviço ambiental estratégico para a biodiversidade, a segurança alimentar e a economia da floresta.

A agenda reuniu manejadores de diferentes calhas de rios do Amazonas e reforçou o protagonismo do estado como referência nacional em modelos de uso sustentável dos recursos naturais.

O PSA Pirarucu deve beneficiar cerca de 5 mil pessoas, organizadas em mais de 40 associações comunitárias que atuam em 41 Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Essas áreas somam mais de 20 milhões de hectares preservados por meio do manejo sustentável.

Com investimento estimado em R$ 15 milhões ao longo de dois anos, o programa passa a remunerar atividades que contribuem para a conservação da biodiversidade, a proteção dos ecossistemas de várzea e a recuperação das populações naturais do pirarucu.

Durante o lançamento, Marina Silva destacou o impacto direto na renda das comunidades. “O pagamento por serviços ambientais representa um avanço importante na geração de renda e no reconhecimento do modo de vida dessas populações”, afirmou. A estimativa é de aumento de até 40% na renda dos manejadores.

Certificação orgânica amplia acesso a mercados

Além do PSA, o governo federal anunciou uma portaria conjunta que viabiliza a certificação orgânica do pirarucu oriundo do manejo sustentável — uma demanda histórica das comunidades amazônicas.

A medida permite acesso a mercados mais valorizados, tanto públicos quanto privados, com possibilidade de acréscimo de até 30% no preço pago pelo produto em programas como o de aquisição de alimentos.

Na prática, a certificação reposiciona o pirarucu como produto de alto valor agregado, fortalecendo cadeias produtivas baseadas na sustentabilidade e na rastreabilidade.

Bioeconomia em estratégia nacional

As iniciativas integram o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que deve orientar as políticas públicas do setor na próxima década e consolidar a biodiversidade como vetor de desenvolvimento econômico, inovação e justiça social.

O programa também se conecta ao Programa Nacional de Sociobioeconomia (Prospera), ampliando o reconhecimento do papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na prestação de serviços ambientais.

Novo modelo econômico

O lançamento do PSA Pirarucu em Manaus reforça uma mudança estrutural na lógica de desenvolvimento da Amazônia. Ao remunerar quem conserva, o governo cria um mecanismo que reduz a pressão sobre os recursos naturais e fortalece cadeias produtivas sustentáveis.

Mais do que uma política ambiental, a iniciativa se consolida como estratégia econômica de longo prazo, posicionando o Amazonas como protagonista de uma agenda global que conecta clima, biodiversidade e geração de renda.

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