Omar propõe brigadas e tecnologia contra queimadas
Plano de governo prevê equipes nos 62 municípios, monitoramento em tempo real e alertas antecipados para combater incêndios florestais.
As queimadas que se repetem a cada período de estiagem no Amazonas, comprometendo a qualidade do ar e afetando a saúde da população, estão entre os desafios ambientais que o candidato ao governo Omar Aziz (PSD) pretende enfrentar com uma estrutura permanente de prevenção e resposta aos incêndios florestais.
A proposta, apresentada em seu plano de governo, combina a formação de brigadas nos 62 municípios amazonenses, o uso de tecnologias de monitoramento e a integração entre órgãos ambientais, de segurança e administrações municipais. A estratégia busca reduzir o tempo entre a identificação dos focos de calor e a chegada das equipes de combate.
O problema ganhou dimensão ainda mais preocupante nos últimos anos, quando a fumaça provocada pelas queimadas passou a atingir com frequência Manaus e cidades do interior, prejudicando a rotina da população e ampliando os riscos de doenças respiratórias.
Brigadas para fortalecer o interior
Um dos principais compromissos de Omar é estruturar brigadas municipais de combate a incêndios, mediante parcerias com as prefeituras. As equipes receberiam treinamento, equipamentos e apoio financeiro do Governo do Estado, permitindo que municípios com menor capacidade orçamentária também disponham de pessoal preparado para enfrentar as queimadas.
“No nosso governo, vamos criar brigadas em todos os municípios em parceria com os prefeitos. Equipar essas brigadas para que a gente possa combater o incêndio e comprar, sim, aviões necessários de combate ao incêndio”, afirmou o candidato.
A proposta responde a uma dificuldade particular do Amazonas: as grandes distâncias territoriais, o acesso limitado a determinadas localidades e a insuficiência de recursos municipais tornam mais complexa a atuação rápida contra incêndios florestais.
Tecnologia para antecipar riscos
Além das brigadas, o plano prevê ampliar a vigilância ambiental com câmeras, drones, satélites e sistemas de alerta precoce. As informações georreferenciadas deverão permitir a identificação de áreas vulneráveis e o envio de notificações às prefeituras e aos órgãos de Defesa Civil.
Omar também propõe instalar salas de situação em cinco municípios-polo, escolhidos conforme a incidência dos problemas ambientais. Essas unidades deverão reunir informações sobre focos de calor e desmatamento, incluindo dados produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), para orientar ações preventivas e emergenciais.
A intenção é substituir respostas predominantemente emergenciais por uma atuação planejada, capaz de identificar riscos antes que os incêndios alcancem maiores proporções.
Fiscalização e responsabilização
O plano inclui operações conjuntas entre o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Ibama e forças de segurança estaduais e federais.
Outra medida é a criação de mecanismos que associem infrações ambientais aos CPFs ou CNPJs dos responsáveis, permitindo a aplicação de restrições ao acesso a crédito rural e a determinadas políticas públicas, conforme a legislação.
A proposta amplia o debate sobre a necessidade de combinar fiscalização, responsabilização e prevenção, especialmente diante das consequências ambientais, econômicas e sanitárias provocadas pelas queimadas.
Para o Amazonas, onde a dimensão territorial e as dificuldades logísticas representam obstáculos permanentes, o desafio será transformar essas medidas em uma rede efetiva de proteção ambiental, com recursos, equipes capacitadas e capacidade de atuação durante todo o ano.


