Mesmo representando quase metade da população do Estado, mulheres continuam sendo minoria no executivo e legislativo

Nas últimas eleições municipais foram eleitas cinco prefeitas nos 62 municípios do Amazonas, equivalente a 8,5% do total e 105 vereadoras para 729 vagas nas câmaras municipais, o equivalente a 14,4%

Ana Celia Ossame

Cinco mulheres foram eleitas prefeitas no Amazonas e vão governar os municípios de Beruri, Ipixuna, Nhamundá, Itapiranga e Presidente Figueiredo, a partir de 2021. Cento e cinco vão ocupar uma cadeira nas câmaras municipais, proporcionalmente, 14,4% do total 729 vagas disponibilizadas nos 62 municípios do estado do Amazonas. Esses dados foram levantados no site do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), pelo Portal Valor Amazônico. Em 12 municípios, não houve mulheres eleitas para as câmaras.

No Estado cuja população feminina era de 49,8% enquanto a masculina era de 50,2%, conforme dados do IBGE de 2019, a professora doutora Ivânia Vieira, da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), chama a atenção para a necessidade de ampliar, em todos os espaços, o acesso ao aprendizado da matéria a presença de mulheres nos espaços de poder.  

Esse aprendizado é fundamental para que se tenha, neste século 21, a redução vergonhosa do desequilíbrio nas representações de poder no Brasil, que é uma ameaça à sociedade e sintoma de anomalia social”, assegura Ivânia.

Ao observar que as câmaras municipais são espaços nos quais a predominância histórica é de homens (não diferente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), ela destaca que ter mulheres no parlamento, um dos importantes espaços de poder, agrega valores preciosos à vida pública, pois elas apresentam demandas que a política de homens e homens machistas não considera.

Dados das eleições

Para a Câmara Municipal de Manaus, quatro mulheres foram eleitas de um total de 41 vagas (nas eleições de 2016 foram cinco), o equivalente a 8,5% do total. O município de Beruri chama atenção. “Ali, uma mulher foi eleita prefeito e, das nove vagas na Câmara Municipal, cinco serão ocupadas por mulheres”, destaca a professora, citando que em 12 municípios não houve eleição de mulheres para as câmaras.

O saldo eleitoral deste ano revela conquistas importantes, na avaliação de Ivânia Vieira. “Da luta das mulheres, dos povos indígenas, vieram e somam-se a elas, as lutas do movimento negro, do movimento LGBTQI+”, pontua ela, citando que, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2020, o número de mulheres candidatas ampliou em 33% e, quando comparado a 2000, representa 140% (para o cargo de vereador). “Há 20 anos, 8,5% do total de candidatos a prefeitos eram mulheres e hoje, 15,5”, argumenta ela.

Á pergunta por que mulheres não votam em mulheres, feita há décadas, tem algumas respostas interessantes, na visão da professora. “Primeiro, permanece forte no imaginário social a noção de que política é coisa para homens (que brigam, se esmurrarem, se digladiarem, falam alto, grosso, pisam forte) acionando a dimensão da força física/violência, outro componente em plena ação nas práticas político-partidárias”, explica.

Em segundo, “a engrenagem político-partidária é dominada por homens e homens machistas, brancos, misóginos que decidem sobre os mecanismos legais que irão determinar formas de acesso e de participação”, argumenta Ivânia, lembrando que nos partidos políticos, ainda têm papel secundarizados.

“Elas realizam múltiplas tarefas, organizam as papeladas, as agendas, fazem o cafezinho, servem a água nas reuniões para a tomada de decisão, limpam as salas, banheiros. São elas, em maioria, nas ruas balançando bandeiras, entregando santinhos e até outros produtos, como ranchos, roupas em nome de candidaturas (recorrentemente de homens) e estão nos ativismos das campanhas nas redes sociais”, finaliza.

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