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Jogo dos vices pode decidir a eleição antes mesmo da campanha começar

A menos de dois meses das convenções partidárias, articulações de bastidores ganham força e podem redefinir a disputa pelo Governo do Amazonas

As eleições de 2026 ainda não começaram oficialmente, mas a corrida pelo Governo do Amazonas já entrou em uma fase decisiva. Longe dos palanques, dos programas eleitorais e dos debates públicos, a movimentação mais importante neste momento acontece nos bastidores, onde partidos e lideranças negociam alianças, avaliam cenários e buscam construir chapas competitivas para enfrentar uma das disputas mais abertas dos últimos anos.

Com as convenções partidárias previstas para ocorrer entre julho e agosto, o foco dos pré-candidatos deixou de ser apenas a consolidação de seus nomes e passou a incluir uma variável que historicamente tem peso significativo na política amazonense: a escolha do vice.

Em um estado marcado pela diversidade regional, pela influência do interior e pela fragmentação partidária, a composição das chapas pode ser tão importante quanto a candidatura principal. Mais do que um companheiro de campanha, o vice passou a representar uma ponte para novos grupos políticos, regiões estratégicas e segmentos do eleitorado.

Xadrez político

O cenário atual reúne nomes conhecidos da política amazonense. O ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), trabalha para ampliar sua presença no interior e consolidar a aliança que o acompanha desde a eleição municipal. O senador Omar Aziz (PSD), por sua vez, aposta na experiência política e na extensa rede de apoios construída ao longo das últimas décadas.

Já a empresária Maria do Carmo Seffair (PL) tenta se consolidar como alternativa ao eleitorado que busca renovação, mas enfrenta o desafio de transformar visibilidade em estrutura política nos municípios.

Nesse contexto, a escolha dos vices pode representar uma mudança significativa na correlação de forças. Um nome com forte inserção no interior, por exemplo, pode ampliar a competitividade de uma candidatura concentrada na capital. Da mesma forma, alianças com partidos médios podem garantir tempo de propaganda, estrutura e capilaridade eleitoral.

Interior no centro

Se Manaus concentra mais da metade do eleitorado amazonense, o interior continua sendo decisivo para qualquer projeto de poder. Não por acaso, os pré-candidatos têm intensificado agendas em municípios estratégicos, fortalecendo alianças e construindo redes de apoio locais.

Historicamente, eleições no Amazonas são definidas pela combinação entre desempenho expressivo na capital e capacidade de penetração nos municípios do interior. É justamente por isso que as negociações atuais extrapolam os interesses partidários e envolvem prefeitos, vereadores, ex-prefeitos e lideranças regionais.

Nos próximos 60 dias, boa parte dessas articulações deverá sair do campo das especulações para se transformar em acordos concretos.

Muito além das pesquisas

Embora as pesquisas eleitorais ocupem espaço importante no debate político, especialistas lembram que o período pré-convenção costuma produzir mudanças significativas nos cenários eleitorais.

A definição das alianças, a montagem das chapas proporcionais e a entrada de novos apoios podem alterar o equilíbrio da disputa antes mesmo do início oficial da campanha.

Por isso, mais do que observar os números das pesquisas, o momento exige atenção aos movimentos de bastidores. Afinal, na política amazonense, muitas eleições começam a ser decididas antes que o primeiro voto seja pedido.

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