Banzerê no Mindu une música, memória e floresta urbana
Concerto gratuito reúne experimentações sonoras amazônicas, teatro ambiental, canto coral e instrumentos sustentáveis no anfiteatro do Parque do Mindu
A floresta urbana do Parque Municipal do Mindu será palco, no sábado (1º), de um encontro entre música, memória afetiva e educação ambiental. O concerto de estreia do projeto “Banzerê no Mindu – Experimentações Sonoras | Frequências de Cura” será realizado das 9h às 11h, no anfiteatro do parque, com entrada gratuita.
Idealizada pelo multi-instrumentista Prem Sudeva, nome artístico de Christian Martinez, a apresentação propõe uma experiência sonora inspirada na natureza amazônica. O espetáculo reunirá instrumentos artesanais, percussões indígenas e afro-amazônicas, canto coral, mantras autorais e uma releitura cênica de um dos trabalhos mais conhecidos do teatro ambiental produzido em Manaus.
O evento também representa um retorno simbólico de Prem Sudeva ao Mindu. Antes da criação do parque, o artista frequentou a região ainda jovem e conheceu de perto uma área que guarda parte da história de sua família. Décadas depois, já como ator da Companhia Vitória Régia, voltou ao local para atuar no espetáculo “O Casamento da Filha de Mapinguari”.
Na montagem, Prem interpretava o personagem Jaraguá e foi responsável pela criação de sete canções dedicadas à proteção da floresta e à preservação da fauna. Agora, essas composições voltam ao anfiteatro em um reencontro que conecta diferentes momentos de sua trajetória artística.
Teatro ambiental retorna ao anfiteatro
Um dos destaques da programação será a participação da atriz e arte-educadora Acácia Mié, que interpretava Lua Nova, filha do gigante Mapinguari, na montagem original de “O Casamento da Filha de Mapinguari”.
Acácia apresentará uma contação de história performática baseada no espetáculo, acompanhada pela sonoplastia ao vivo de Gabriel Cristal. As canções compostas por Prem Sudeva serão retomadas durante a apresentação, resgatando temas como preservação ambiental, respeito aos animais e valorização da beleza para além das aparências.

A participação da atriz transforma o concerto em uma espécie de reencontro de gerações do teatro amazonense. Ao recuperar personagens e músicas apresentados anteriormente no próprio Parque do Mindu, o projeto busca preservar a memória artística do espaço e aproximá-la de novos públicos.
Segundo Prem Sudeva, a proposta não se limita a um concerto convencional. O artista explica que o projeto é resultado de 25 anos de pesquisas e de sete apresentações anteriores realizadas em teatros fechados.
No centro das experimentações está o Banzerê, instrumento desenvolvido pelo próprio músico e utilizado em composições feitas com sons orgânicos, sobreposições e loops criados em tempo real. A expressão “frequências de cura” é empregada pelo artista como conceito ligado à introspecção, ao equilíbrio emocional e à conexão espiritual proporcionada pela música.

Mantras, coral e instrumentos amazônicos
A programação começará com um alinhamento matinal integrativo e exercícios respiratórios conduzidos pela artista e yogini Yaneza. O público também será convidado a acompanhar mantras autorais em meio à área verde do parque.
Após a contação de histórias, o Coral Nova Acrópole, sob a regência de Gabriella Dias, fará intervenções com obras da música popular escolhidas por sua força poética e pela relação com a proposta contemplativa do evento.
O trio principal será formado por Prem Sudeva, Gabriella Dias e Clara Rimoli. Os músicos combinarão Banzerê, charango e cuatro, instrumentos de corda produzidos por meio de luthieria sustentável, com percussões indígenas e afro-amazônicas.
A apresentação contará ainda com participações de Sousa Junior, com seus rezos autorais; da multiartista Dani Colares, no violino; e de Victor Cintrão, responsável por sopros andinos executados em flautas artesanais.
A combinação de diferentes referências pretende construir uma paisagem sonora conectada à diversidade cultural da Amazônia, sem abandonar influências andinas, corais e contemporâneas.
Registro audiovisual e compromisso ambiental
Toda a performance será registrada pela produtora Banzeiro Sonoro. A captação será feita em áudio multicanal de alta fidelidade e vídeo em Full HD, permitindo a criação de um registro audiovisual do concerto e das intervenções artísticas.

O projeto adotará uma política de “Resíduo Zero”, com medidas voltadas à redução do impacto ambiental durante a realização do evento. A organização informa ainda que o volume sonoro será controlado para preservar a fauna do parque e que a programação seguirá os protocolos estabelecidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudança do Clima.

A direção técnica e operacional é assinada por Christian Martinez, que também atua como fotojornalista. Ele integrou a equipe de cobertura oficial dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e acumula experiências na organização de eventos institucionais, corporativos e ligados à hotelaria de selva e de luxo na Amazônia.
Com capacidade limitada a 200 lugares, o concerto pretende transformar o anfiteatro do Mindu em um espaço de encontro entre a história do teatro ambiental, a pesquisa musical contemporânea e a preservação da floresta urbana.


