Manaus planeja R$ 200 milhões em obras contra alagamentos
Projeto com o BNDES prevê intervenções em quatro áreas de igarapés, com drenagem, infraestrutura e recuperação ambiental
Quatro áreas de Manaus que convivem com alagamentos, erosão, ocupações irregulares e problemas de saneamento estão no centro de um projeto que pode mobilizar cerca de R$ 200 milhões em investimentos para tornar a cidade mais preparada para eventos climáticos extremos.
A Prefeitura de Manaus e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) avançaram, na terça-feira (22), na estruturação do Manaus Resiliência, primeira iniciativa do programa BNDES Cidades Resilientes no país. Os recursos previstos poderão ser financiados pelo Fundo Clima.
As intervenções estão sendo planejadas para o igarapé da Sapolândia, Parque dos Tucanos, igarapé do Mindu e igarapé do Franco, na avenida Brasil. A proposta reúne obras de drenagem e contenção, recuperação ambiental, infraestrutura verde e outras soluções para reduzir riscos e requalificar áreas vulneráveis da capital.
O projeto ainda está na fase de estudos e estruturação. Antes da definição das obras, técnicos vão avaliar as condições ambientais, urbanísticas e sociais de cada território e identificar as intervenções consideradas mais adequadas.
Diagnóstico em campo
Entre esta quarta (23) e sexta-feira (25), equipes da prefeitura, do BNDES e do Consórcio Engecorps Moyses & Pires-Nippon realizam vistorias nos quatro locais selecionados.
O trabalho de campo deverá identificar gargalos de infraestrutura e confrontar as condições encontradas com os diagnósticos iniciais. A fase de estruturação técnica terá duração prevista de nove meses e incluirá estudos ambientais e socioeconômicos, mapeamento de riscos hidrológicos e elaboração de anteprojetos de engenharia.
Também estão previstas oficinas e consultas públicas para ouvir moradores das comunidades diretamente afetadas.
A superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES, Luciene Machado, destacou que conhecer a realidade de cada área será determinante para a definição das intervenções.
“A adaptação climática é um dos maiores desafios urbanos do país. É impossível prescrever soluções sem conhecer profundamente a realidade local e ouvir quem sofre diariamente os efeitos dos eventos severos”, afirmou.
Segundo ela, o trabalho pretende transformar as necessidades identificadas em projetos tecnicamente estruturados e preparados para receber investimentos de longo prazo.
Soluções permanentes
Para a Prefeitura de Manaus, a parceria abre caminho para intervenções que ultrapassem ações emergenciais e ofereçam respostas permanentes a áreas historicamente vulneráveis.
O secretário municipal de Finanças, Planejamento e Tecnologia da Informação, Alessandro Ribeiro, afirmou que o projeto está alinhado à necessidade de preparar a capital para chuvas intensas e outros efeitos relacionados às mudanças do clima.
“Esse projeto de Cidades Resilientes vem ao encontro das necessidades de Manaus, uma das capitais com grande necessidade de resiliência climática”, afirmou.
Já o presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Antonio Peixoto, destacou o impacto social esperado nas áreas selecionadas. Segundo ele, as ocupações irregulares às margens e nos leitos de igarapés criaram pontos de vulnerabilidade que exigem intervenções integradas.
“A execução do projeto trará um benefício social direto, devolvendo um território organizado, planejado e seguro para a população que hoje sofre com alagamentos”, disse.
Além das obras tradicionais de engenharia, o planejamento deverá incorporar soluções baseadas na natureza, infraestrutura verde e medidas de recuperação ambiental.
Com a conclusão dos estudos, a expectativa é que Manaus tenha projetos estruturados para buscar financiamento e executar intervenções capazes de reduzir os impactos das chuvas e recuperar áreas de igarapés, associando infraestrutura urbana, adaptação climática e melhoria das condições de vida das comunidades.
Fotos – Valdo Leão/ Semcom


