TCE-AM e Arquidiocese unem forças pela educação ambiental
Parceria pretende levar conhecimento sobre água, resíduos e mudanças climáticas a cerca de mil comunidades do Amazonas
A educação ambiental no Amazonas poderá ganhar novos caminhos para chegar a comunidades onde a informação nem sempre circula com a mesma facilidade que nos grandes centros urbanos. Uma parceria firmada nesta terça-feira (27) entre o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) e a Arquidiocese de Manaus pretende aproximar o conhecimento técnico das experiências comunitárias, ampliando o debate sobre preservação ambiental, gestão de resíduos e mudanças climáticas.
O acordo de cooperação técnica fortalece o projeto Caminho Sustentável, desenvolvido pela Escola de Contas Públicas (ECP), e aposta na presença da Igreja em diferentes territórios para transformar conteúdos educativos em instrumentos de conscientização e participação social.
A proposta parte de um desafio especialmente relevante para o Amazonas: fazer com que a educação ambiental ultrapasse os limites das salas de aula e alcance famílias, comunidades e organizações que convivem diretamente com os impactos das mudanças ambientais.
Em um estado marcado por grandes distâncias, dependência dos rios e profundas diferenças nas condições de acesso à informação, a articulação entre instituições pode contribuir para aproximar o conhecimento das realidades locais.

Conhecimento que chega às comunidades
O Caminho Sustentável utiliza vídeos e almanaques educativos voltados a estudantes do Ensino Fundamental, com conteúdos organizados em três eixos: gestão da água, resíduos sólidos e mudanças climáticas.
São temas que fazem parte do cotidiano amazônico, seja pela importância dos rios para o abastecimento e a mobilidade, pelos problemas provocados pelo descarte inadequado de lixo ou pelos efeitos das secas e cheias sobre a vida das populações.
A parceria permitirá aproveitar materiais educativos já produzidos pela Arquidiocese, com apoio técnico do Tribunal para adaptação, impressão e distribuição. A previsão inicial é disponibilizar aproximadamente mil cartilhas, além de promover atividades conjuntas em escolas e comunidades.
A presidente do TCE-AM, conselheira Yara Amazônia Lins, destacou a importância de reunir experiências institucionais em torno da preservação ambiental.
“Por meio da Escola de Contas Públicas, coordenada pelo Conselheiro Júlio Pinheiro, e com a parceria fundamental da Arquidiocese, vamos unir conhecimentos e experiências para fortalecer o projeto Caminho Sustentável e ampliar a conscientização sobre a importância de cuidar da nossa Amazônia”, afirmou.
Presença comunitária amplia o alcance
Um dos principais diferenciais do acordo é a estrutura comunitária vinculada à Arquidiocese de Manaus, formada por pastorais, grupos de catequese e organizações sociais, como a Cáritas Arquidiocesana, a Fundação RioMar, a Associação Madre Teresa e o Centro de Defesa e Proteção dos Direitos Humanos e da Natureza.
Essa rede poderá contribuir para disseminar materiais educativos em cerca de mil comunidades, ampliando o alcance das ações para além do ambiente escolar.
O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus, ressaltou que a Igreja já desenvolve iniciativas de conscientização ambiental e que a cooperação permitirá potencializar esse trabalho.
“Nós elaboramos subsídios, que agora, com a ajuda do Tribunal de Contas, podemos usar melhor esses subsídios, e também em outras comunidades”, explicou.
O vice-presidente do TCE-AM, conselheiro Josué Neto, também destacou a importância de garantir que o material educativo chegue aos diferentes territórios.
“Fazer chegar a informação é parte essencial desse trabalho de prevenção e educação ambiental. Não vamos medir esforços para que todo o material, seja digital, seja gráfico, chegue nessas mil comunidades do nosso Estado”, afirmou.
Educação ambiental como compromisso coletivo
Mais do que distribuir cartilhas, o desafio será transformar informação em conhecimento aplicado à vida cotidiana. Compreender o destino dos resíduos, preservar os recursos hídricos e reconhecer os impactos das mudanças climáticas são passos importantes para fortalecer práticas sustentáveis e a participação das comunidades na proteção ambiental.
O coordenador-geral da Escola de Contas Públicas, conselheiro Júlio Pinheiro, ressaltou que a cooperação amplia as possibilidades de atuação do Caminho Sustentável, aproximando o projeto de diferentes públicos.
O acordo não prevê transferência de recursos financeiros entre o Tribunal e a Arquidiocese. Cada instituição será responsável pelos custos das atividades que executar, enquanto o planejamento, os cronogramas e o acompanhamento dos resultados serão definidos conjuntamente.
A iniciativa também amplia o debate sobre o papel das instituições públicas na prevenção dos problemas ambientais. Ao investir em educação, o Tribunal de Contas estende sua atuação para além da fiscalização, contribuindo para a formação de uma consciência coletiva sobre a responsabilidade de preservar os recursos naturais.
Em uma região onde os efeitos da degradação ambiental atingem diretamente a saúde, a economia e os modos de vida tradicionais, levar conhecimento às comunidades significa também fortalecer sua capacidade de participar das decisões sobre o território.
Foto: Joel Arthus


