Leite movimenta R$ 1,25 bilhão na economia de Rondônia
Fóruns em Jaru e Ariquemes, além do ConQueijo, reforçam a busca por produtividade, inovação e valorização da agroindústria regional.
A produção de leite movimenta uma cadeia econômica que vai muito além das propriedades rurais em Rondônia. Do trabalho das famílias no campo à fabricação de queijos e outros derivados, a atividade gera renda, abastece o mercado e sustenta negócios em diferentes municípios do estado.
Em 2025, Rondônia produziu 583,7 milhões de litros de leite, movimentando aproximadamente R$ 1,25 bilhão em valor de produção, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da importância econômica, o volume produzido apresentou retração de 5,8% em relação ao ano anterior, evidenciando os desafios enfrentados pelo setor.
É nesse cenário que Jaru e Ariquemes entram no centro de uma agenda voltada ao fortalecimento da pecuária leiteira. Os municípios receberão encontros que buscam aproximar produtores, pesquisadores, empresas e instituições públicas para discutir soluções tecnológicas, melhoria da qualidade e oportunidades de comercialização.
A programação começa nesta quinta-feira (5), com o 1º Fórum do Leite de Jaru. Em dezembro, Ariquemes deverá sediar o 3º Fórum do Leite de Rondônia, nos dias 10 e 11, seguido pelo 5º ConQueijo RO, previsto para o dia 12.
Embora independentes, as iniciativas abordam etapas complementares de uma mesma atividade econômica: produzir leite com maior eficiência e transformar essa matéria-prima em produtos valorizados pelo mercado.

Jaru aposta na ciência para fortalecer a produção
Em Jaru, o fórum será realizado a partir das 8h, no auditório da Faculdade Integrada Aparício Carvalho (Fimca). A iniciativa é organizada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Jaru, em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Jaru (ACIJ).
Com o tema “Diagnóstico e Intervenções Estratégicas para a Bacia Leiteira”, o encontro pretende identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores e construir propostas para melhorar o desempenho da atividade.
A programação está organizada em cinco áreas: nutrição animal e manejo do solo; genética e melhoramento do rebanho; sanidade e qualidade do leite; manejo e bem-estar animal; além de gestão, economia e crédito rural.

A proposta está associada ao projeto Embriotec Leite, desenvolvido pelo IFRO, que busca aproximar a pesquisa científica das necessidades reais da produção.
Essa relação entre conhecimento e atividade econômica ganha importância diante dos custos enfrentados pelas famílias rurais. Alimentação do rebanho, medicamentos, equipamentos e transporte representam despesas que podem comprometer a rentabilidade das propriedades.
O desafio, portanto, não é apenas aumentar a quantidade de leite produzida, mas melhorar a produtividade e garantir que o crescimento da atividade se traduza em renda para os produtores.
Ariquemes amplia debate sobre competitividade
A programação prevista para dezembro, em Ariquemes, deverá ampliar as discussões sobre o futuro da cadeia leiteira de Rondônia.
O 3º Fórum do Leite de Rondônia está anunciado para os dias 10 e 11, reunindo representantes do segmento produtivo em torno de questões relacionadas à modernização da atividade e à recuperação da capacidade de produção.
A discussão ocorre em um momento de retração no volume de leite produzido no estado. Segundo o IBGE, Rondônia passou de aproximadamente 619,5 milhões de litros em 2024 para 583,7 milhões em 2025.
Essa redução reforça a necessidade de políticas que combinem assistência técnica, acesso a financiamentos, modernização das propriedades e melhoria das condições de comercialização.
Outro ponto relevante é a organização dos produtores. A cooperação entre agricultores, associações, cooperativas e agroindústrias pode contribuir para reduzir custos, melhorar processos e ampliar o acesso a compradores.
A realização de encontros técnicos permite identificar demandas comuns e discutir iniciativas que atendam às características da produção regional, especialmente à realidade da agricultura familiar.

Queijos agregam valor à produção
Depois das discussões sobre a pecuária leiteira, Ariquemes deverá receber, em 12 de dezembro, a quinta edição do ConQueijo RO.
O evento destaca uma etapa importante da cadeia econômica: a transformação do leite em derivados de maior valor comercial.
A produção de queijos representa uma oportunidade para pequenas agroindústrias ampliarem suas receitas e alcançarem novos mercados. Mas também exige investimentos em qualidade, controle sanitário, boas práticas de fabricação e apresentação dos produtos.
Para agricultores e empreendedores rurais, agregar valor significa deixar de depender exclusivamente da comercialização da matéria-prima e explorar outras possibilidades de rendimento.
O desenvolvimento desse segmento pode fortalecer marcas regionais e ampliar a presença de produtos rondonienses no mercado consumidor.
A valorização dos queijos também está relacionada à identidade gastronômica e ao reconhecimento do trabalho realizado nas propriedades e agroindústrias familiares.
Uma economia que começa nas pequenas propriedades
A importância da pecuária leiteira aparece de maneira expressiva nos municípios do interior.
Segundo levantamento da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron), referente à segunda etapa de declaração de rebanhos de 2025, Jaru registrava 1.278 produtores de leite e produção declarada de aproximadamente 88,8 mil litros por dia.
Em Ariquemes, o levantamento apontava 553 produtores, com produção diária declarada próxima de 38 mil litros.
Os dados demonstram a presença da atividade na economia local e ajudam a dimensionar a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento dos produtores.
A cadeia leiteira também movimenta o transporte, os serviços veterinários, a comercialização de insumos e as empresas de beneficiamento.
Em municípios do interior, esse conjunto de atividades contribui para a circulação de recursos e a manutenção de oportunidades econômicas no campo.
O desafio de produzir melhor e vender mais
O fortalecimento da pecuária leiteira em Rondônia exige respostas que ultrapassem os debates realizados durante os eventos.
A recuperação da produção depende de assistência técnica contínua, acesso a tecnologias adequadas, melhoria da infraestrutura e condições comerciais que permitam ao produtor obter remuneração suficiente para manter sua atividade.
Também será necessário estimular práticas produtivas ambientalmente responsáveis, com recuperação de pastagens, manejo adequado do solo e melhor aproveitamento das áreas já destinadas à pecuária.
Nesse contexto, os encontros de Jaru e Ariquemes representam oportunidades para aproximar conhecimento científico, demandas do campo e perspectivas de mercado.
O verdadeiro resultado dessa mobilização, porém, será medido pela capacidade de transformar as propostas em ações permanentes.
Para Rondônia, que movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano com a produção de leite, o desafio não é apenas recuperar volumes perdidos, mas construir uma cadeia mais eficiente, sustentável e capaz de garantir melhores oportunidades para as famílias que dependem da atividade.


