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Manaus debate tecnologia e defesa da Amazônia

Com 17 palestrantes e cinco painéis, simpósio promovido pelo Comando Militar da Amazônia busca aproximar ciência, indústria e universidades para desenvolver soluções estratégicas para a região

Os desafios de proteger a Amazônia vão muito além da presença militar nas fronteiras. Em uma região marcada por grandes distâncias, extensas áreas de floresta e milhares de quilômetros de rios, a capacidade de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias e monitorar o território tornou-se estratégica para a segurança e o desenvolvimento regional.

É nesse contexto que Manaus receberá, nos dias 12 e 13 de novembro, o Simpósio de Inovações para a Defesa da Amazônia, promovido pelo Comando Militar da Amazônia (CMA), com apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

O encontro será realizado na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e reunirá pesquisadores, militares, representantes da indústria, empreendedores e integrantes de startups para discutir soluções tecnológicas voltadas às particularidades da região.

A programação prevê 17 palestrantes distribuídos em cinco painéis temáticos, além de uma exposição de equipamentos e tecnologias que podem ser utilizados tanto em operações de defesa quanto em atividades civis.

A proposta é aproximar instituições que produzem conhecimento daquelas que precisam transformar pesquisas em soluções práticas, fortalecendo a capacidade de inovação desenvolvida dentro da própria Amazônia.

Tecnologia para enfrentar desafios amazônicos

Na Amazônia, as condições geográficas representam obstáculos permanentes para operações de fiscalização, transporte, comunicação e atendimento às comunidades.

A dificuldade de acesso a áreas remotas, as alterações no nível dos rios e a necessidade de monitorar grandes extensões territoriais exigem equipamentos e sistemas adaptados à realidade regional.

Tecnologias de sensoriamento remoto, comunicação, inteligência de dados e monitoramento ambiental podem contribuir para enfrentar essas dificuldades.

Uma das questões centrais do simpósio será justamente a aplicação do conhecimento científico à solução de problemas concretos.

A programação inclui discussões sobre clima e nível dos rios, biotecnologia, engenharia e sistemas tecnológicos voltados à defesa territorial.

Entre os projetos apresentados estará o Curupira, desenvolvido pela UEA, que utiliza sistemas tecnológicos para monitoramento e poderá ter suas possibilidades de aplicação no setor de defesa discutidas durante o encontro.

Tecnologia militar também beneficia a sociedade

Um dos conceitos que orientam o simpósio é o chamado uso dual da tecnologia.

A expressão se refere a equipamentos, sistemas e conhecimentos que podem servir tanto às necessidades militares quanto às atividades civis.

Um sistema desenvolvido para monitorar áreas de fronteira, por exemplo, também pode contribuir para identificar alterações ambientais. Tecnologias de comunicação utilizadas em operações remotas podem encontrar aplicações em regiões onde a conectividade é limitada.

Da mesma forma, ferramentas para acompanhar condições climáticas e níveis dos rios podem auxiliar no planejamento logístico e na prevenção de riscos.

Essa possibilidade de utilização em diferentes setores amplia a importância dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, permitindo que soluções tecnológicas tenham aplicações econômicas, ambientais e sociais.

Entretanto, para que esses benefícios se concretizem, será necessário transformar pesquisas em produtos e serviços acessíveis, com financiamento, testes e articulação entre instituições públicas e empresas.

Universidades e startups no centro da inovação

Outro objetivo do evento é ampliar a participação de universidades, centros de pesquisa e startups na construção de soluções para a Amazônia.

A aproximação entre pesquisadores e setor produtivo pode contribuir para transformar projetos acadêmicos em tecnologias com aplicação prática.

Na programação estão previstas apresentações sobre inovação, mecanismos de financiamento à pesquisa e experiências desenvolvidas por instituições da região.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) participará das discussões sobre fomento à inovação, enquanto representantes de instituições de ensino e pesquisa apresentarão experiências relacionadas às necessidades amazônicas.

O encontro também contará com a participação de empresas e startups que desenvolvem ferramentas tecnológicas, incluindo sistemas de simulação e soluções aplicadas ao planejamento de operações.

Para o Amazonas, essa articulação pode representar oportunidades de qualificação profissional, desenvolvimento de novos negócios e fortalecimento de uma cadeia tecnológica conectada às características da região.

Conhecimento produzido na Amazônia

Uma questão importante para o desenvolvimento regional é a capacidade de produzir soluções tecnológicas a partir dos problemas identificados pelos próprios pesquisadores e profissionais que atuam na Amazônia.

A região reúne universidades, centros de pesquisa, instituições militares e empresas que acumulam conhecimento sobre biodiversidade, clima, logística e características territoriais.

Apesar desse potencial, transformar pesquisas em produtos e serviços continua sendo um desafio que envolve financiamento, infraestrutura e oportunidades de mercado.

O simpósio pretende contribuir para reduzir essa distância, estimulando a cooperação entre diferentes instituições.

A participação de pesquisadores amazonenses também permitirá apresentar iniciativas que consideram as características ambientais e sociais da região.

Defesa e desenvolvimento regional

A proteção da Amazônia envolve questões relacionadas à soberania nacional, segurança de fronteiras, monitoramento territorial e enfrentamento de atividades ilegais.

Mas também exige conhecimento científico, capacidade logística e tecnologias que possam ser aplicadas em áreas onde a presença do Estado enfrenta dificuldades estruturais.

Nesse sentido, a aproximação entre instituições militares e civis pode contribuir para ampliar o debate sobre as necessidades estratégicas da região.

O desafio será garantir que os conhecimentos compartilhados durante o encontro resultem em projetos, parcerias e soluções capazes de ultrapassar os espaços de discussão.

Mais do que apresentar equipamentos, a iniciativa coloca em evidência a importância de fortalecer a produção científica e tecnológica amazônica.

Em uma região com características tão particulares, desenvolver soluções adaptadas ao território é parte fundamental de qualquer estratégia de proteção, inovação e desenvolvimento sustentável.

Inscrições abertas

O Simpósio de Inovações para a Defesa da Amazônia será realizado nos dias 12 e 13 de novembro, no auditório da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), localizado na avenida Darcy Vargas, nº 1.200, bairro Parque Dez de Novembro, em Manaus.

O evento é direcionado a pesquisadores, acadêmicos, estudantes de graduação e pós-graduação, empreendedores, representantes da indústria, startups e profissionais interessados em inovação e tecnologia.

As inscrições devem ser realizadas pela internet, por meio da plataforma Doity. Os participantes deverão realizar o credenciamento presencial para registro de participação e emissão de certificado.

Inscrições: https://doity.com.br/simposio-de-inovacoes-para-a-defesa-da-amazonia

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