Polícia Federal cumpre mandados em nova fase da Operação Sangria na sede da Secretaria de Saúde do Amazonas

Os mandados de busca e apreensão em Manaus são acompanhados pela Controladoria Geral da União (CGU), nesta segunda-feira (30/11)

Polícia Federal (PF) cumpre desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira (30/11), quatro mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e em um condomínio de luxo, no bairro Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus. A operação de hoje, faz parte da terceira fase da Operação Sangria, que investiga a comprar de respiradores superfaturados para o tratamento de pacientes com covid-19 no Estado. A ação é acompanhada pela Controladoria Geral da União (CGU).

Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pela PF. Os agentes também estiveram na Secretaria da Casa Militar do Governo do Amazonas, no bairro da Compensa, zona oeste da capital.

A Operação Sangria teve início em junho deste ano, para investigar possíveis práticas de crimes na compra de 28 respiradores, no valor de 2,9 milhões, com sobrepreço de 133% e dispensa de licitação pelo governo do Amazonas. Durante a operação, na época foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e oito de prisão temporária.

Entenda a 3ª fase da Operação Sangria

A partir dos elementos de prova angariados após o cumprimento dos mandados judiciais das fases anteriores, identificou-se que funcionários do alto escalão da Secretaria de Saúde do Amazonas direcionaram, em favor de uma empresa investigada, a licitação cujo objeto seria a aquisição de respiradores pulmonares, sob orientação da cúpula do Governo do Estado.

Antes da abertura da referida licitação, a empresa investigada adquiriu parte dos respiradores pulmonares em outro Estado da Federação. Em ato contínuo, o próprio Governo do Amazonas trouxe, mediante transporte aéreo, os equipamentos adquiridos pela empresa, custeando o frete.

Com a chegada dos respiradores pulmonares em Manaus, a empresa investigada, mediante acerto, repassou-os à empresa comercializadora de vinhos. Em seguida, houve a adjudicação da dispensa de licitação fraudulenta em favor da empresa distribuidora de bebidas, a qual entregou os produtos que a empresa investigada já tinha adquirido de fornecedores e o próprio Governo do Amazonas os transportou para Manaus/AM no dia anterior à contratação da empresa de vinhos.

As triangulações realizadas entre as empresas investigadas, bem como o fretamento aéreo dos respiradores pulmonares custeado pelo Governo do Amazonas, aumentaram a margem de lucro ilícita dos investigados. Destaca-se que o Edital de dispensa de licitação é explícito que tais custos deveriam ficar a cargo da empresa contratada, e não do Governo.

Os indiciados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de fraude à licitação, peculato, pertencimento a organização criminosa e lavagem de dinheiro. Se condenados, poderão cumprir pena de até 30 anos de reclusão.


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