DESTAQUEMEIO AMBIENTE

Amazonas segue entre estados que mais desmatam, apesar da queda geral na Amazônia

Dados recentes apontam Canutama, Lábrea e Apuí como os municípios com maior área devastada entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.

Mesmo com a redução no ritmo de devastação registrada em parte da Amazônia nos últimos meses, o Amazonas permanece entre os estados que mais perderam cobertura florestal no período recente. Levantamentos de monitoramento ambiental indicam que os municípios de Canutama, Lábrea e Apuí concentraram as maiores áreas desmatadas entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.

O cenário revela um paradoxo ambiental: enquanto indicadores apontam tendência de queda no desmatamento na Amazônia Legal como um todo, algumas áreas continuam sob forte pressão de atividades ilegais e da expansão desordenada da fronteira econômica.

Especialistas apontam que o sul do Amazonas, onde se localizam os três municípios, permanece como uma das regiões mais sensíveis do bioma. A área integra o chamado “arco do desmatamento”, faixa territorial marcada historicamente pelo avanço da pecuária, grilagem de terras e abertura irregular de estradas.

Pressão crescente no sul do estado

Os municípios de Canutama, Lábrea e Apuí se destacam há anos nas estatísticas ambientais por concentrarem grandes extensões territoriais e áreas de difícil fiscalização. A presença de rotas clandestinas e a expansão de atividades agropecuárias contribuem para o aumento da pressão sobre a floresta.

Em Lábrea, considerado um dos maiores municípios do país em extensão territorial, a devastação tem sido associada à expansão de áreas de pastagem. Já Apuí tem enfrentado crescimento acelerado da abertura de áreas, muitas vezes ligada à ocupação irregular de terras públicas.

No caso de Canutama, o avanço do desmatamento tem sido registrado principalmente em regiões de difícil acesso, onde a presença do Estado ainda é limitada.

Queda regional não elimina alerta

Apesar da redução no desmatamento registrada em parte da Amazônia nos últimos meses, especialistas alertam que o fenômeno ainda exige atenção constante. A queda no índice geral não significa que a pressão sobre a floresta tenha diminuído de forma uniforme.

O que ocorre, segundo pesquisadores e órgãos de monitoramento ambiental, é uma redistribuição territorial da devastação. Enquanto algumas áreas registram redução, outras passam a concentrar novos focos de derrubada da vegetação.

Desafio para políticas públicas

O avanço do desmatamento em municípios do sul do Amazonas evidencia os desafios para políticas públicas de fiscalização e desenvolvimento sustentável na região.

Autoridades ambientais defendem o fortalecimento da presença do Estado, a ampliação das ações de combate a crimes ambientais e o incentivo a atividades econômicas sustentáveis como caminhos para reduzir a pressão sobre a floresta.

A Amazônia continua sendo peça central no debate climático global. E, diante desse cenário, a situação do Amazonas reforça a necessidade de estratégias regionais que combinem preservação ambiental, segurança territorial e oportunidades econômicas para as populações locais.

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