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Sete Cores da Amazônia estreia em Manaus e reforça força do cinema local

Longa dirigido por Ana Lígia Pimentel entra em cartaz no Casarão de Ideias e marca retorno de produções amazonenses às salas da cidade

Manaus volta a se ver nas telas com uma produção que nasce da própria vivência amazônica. O longa Sete Cores da Amazônia, dirigido por Ana Lígia Pimentel, estreia no próximo dia 23 de abril, às 19h, no Centro Cultural Casarão de Ideias, com exibição na sala de cinema da Casa Amarela.

Mais do que uma estreia, a chegada do filme ao circuito local representa um reencontro simbólico com o público manauara, ao colocar em evidência uma narrativa construída a partir da realidade, da memória e da identidade da região.

Inspirado na HQ homônima de Ademar Vieira, o longa acompanha a trajetória de Sarah, uma menina que vive em palafitas na periferia de Manaus e vê sua vida se transformar ao conhecer a avó, Ceucy.

A partir desse encontro, a personagem inicia uma jornada de reconexão com suas raízes indígenas. A narrativa aborda temas como pertencimento, ancestralidade e identidade, colocando a Amazônia não como pano de fundo, mas como elemento central da história.

Com 79 minutos de duração e classificação livre, o filme reúne no elenco nomes como Maria Zen, Petta Catão, Sissy Mendes, Geiberson Teixeira e Uyra Sodoma.

Trajetória internacional

Desde sua concepção, o projeto vem construindo um caminho consistente no circuito audiovisual. A produção teve origem em 2018, com o lançamento da HQ pelo estúdio Black Eye, e ganhou impulso em 2020 ao ser contemplada no Edital Prêmio Feliciano Lana, viabilizado pela Lei Aldir Blanc.

A partir daí, o longa passou a circular por festivais nacionais e internacionais, com destaque para o 10º Mambe Festival, na Colômbia, além de participações em eventos como o Montreal Independent Film Festival, LA Independent Women Film Awards e o Festival Guarnicê.

No Brasil, a obra também esteve presente em mostras relevantes, incluindo a Mostra Internacional de Cinema Livre de São Paulo, a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e exibições na Cinemateca Brasileira.

Espaço nas telas

A estreia em Manaus também reacende um debate importante sobre o espaço do cinema amazonense nas salas comerciais. A presença de longas produzidos integralmente no estado ainda é limitada, o que torna lançamentos como este eventos raros no circuito local.

Dados da Agência Nacional do Cinema mostram que, ao longo dos últimos anos, poucas produções do Amazonas conseguiram chegar ao circuito exibidor nacional. Entre os exemplos estão A Floresta de Jonathas (2013) e Antes o Tempo Não Acabava (2017), evidenciando que a distribuição dessas obras ainda ocorre de forma pontual.

Nesse contexto, Sete Cores da Amazônia se apresenta não apenas como um lançamento, mas como um movimento de afirmação cultural e de ocupação de espaço.

Afirmação cultural

Ao entrar em cartaz, o filme reforça a potência do audiovisual produzido no Amazonas e a necessidade de ampliar sua circulação. A obra dialoga com o público local ao mesmo tempo em que se conecta com temas universais, mostrando que é possível produzir cinema com identidade regional e alcance global.

Mais do que presença em festivais, a chegada às salas de exibição representa um passo fundamental para a formação de público e consolidação do cinema amazonense.

Serviço

🎬 Filme: Sete Cores da Amazônia
🎬 Direção: Ana Lígia Pimentel
🎬 Produção: Queima Filmes
📅 Data: 23 de abril de 2026
🕖 Horário: 19h
📍 Local: Centro Cultural Casarão de Ideias – sala de cinema da Casa Amarela
📍 Cidade: Manaus (AM)

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