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Milton Hatoum entra para a ABL e projeta a literatura amazônica ao centro do Brasil

Primeiro autor nascido no Amazonas a se tornar “imortal”, escritor consagrado leva a força da Amazônia para a principal instituição literária do país

A literatura amazônica conquistou um dos espaços mais simbólicos da cultura brasileira. O escritor Milton Hatoum tomou posse, nesta sexta-feira (24), na Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se o primeiro autor nascido no Amazonas a integrar o seleto grupo dos chamados “imortais”.

A cerimônia ocorreu na sede da instituição, no Petit Trianon, no Centro do Rio de Janeiro, e marcou não apenas a consagração de uma trajetória literária reconhecida dentro e fora do país, mas também um momento histórico para a produção cultural da região Norte.

Eleito em agosto do ano passado, Hatoum passa a ocupar a cadeira 6, sucedendo o jornalista Cícero Sandroni. Em seu discurso de posse, o escritor relembrou nomes que marcaram a trajetória da cadeira e reafirmou o compromisso com uma literatura que atravessa o tempo e dialoga com as complexidades do Brasil.

Trajetória sólida

Com carreira consolidada, Hatoum é autor de romances, contos e crônicas que se tornaram referência na literatura contemporânea brasileira. Obras como Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte foram premiadas com o Jabuti, um dos mais importantes prêmios literários do país.

Seus livros ultrapassam fronteiras e já foram traduzidos para diversos idiomas, com circulação em países da Europa, América e Ásia. A obra Dois irmãos, por exemplo, ganhou adaptação para a televisão, ampliando ainda mais o alcance de sua narrativa.

Além da produção ficcional, o escritor também construiu trajetória acadêmica relevante. Formado em arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP), cursou pós-graduação em literatura em Paris e atuou como professor na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), além de ter sido docente visitante em instituições internacionais.

Reconhecimento nacional

Durante a cerimônia, a escritora Ana Maria Machado destacou a singularidade da obra de Hatoum e sua relação com o tempo e a permanência, em contraste com a efemeridade contemporânea.

A posse na ABL consolida o reconhecimento de um autor cuja escrita é marcada por densidade narrativa, memória, identidade e pelas múltiplas camadas sociais e culturais da Amazônia — elementos que ajudaram a projetar a região no cenário literário global.

Marco para a Amazônia

A chegada de Hatoum à Academia representa mais do que uma conquista individual. O feito reforça o protagonismo da Amazônia na produção cultural brasileira e amplia a visibilidade de narrativas que historicamente estiveram à margem dos grandes centros editoriais.

Ao ocupar uma cadeira na ABL, o escritor leva consigo referências, histórias e experiências da região, contribuindo para diversificar o olhar sobre o país dentro de uma das instituições mais tradicionais da literatura nacional.

Aos 73 anos, Milton Hatoum passa a integrar oficialmente o grupo de 40 membros da Academia Brasileira de Letras, instituição fundada no século XIX e considerada uma das principais referências culturais do Brasil.

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