Ministério da Saúde amplia vacinação de indígenas na Amazônia
Campanha nacional busca ampliar cobertura vacinal em territórios remotos e reforçar proteção de povos indígenas contra doenças imunopreveníveis
O Ministério da Saúde iniciou uma nova mobilização nacional para ampliar a vacinação entre povos indígenas em áreas remotas do país. A expectativa da pasta é aplicar mais de 89 mil doses de vacinas em cerca de 650 aldeias indígenas até o próximo dia 25 de maio, durante a edição 2026 do Mês de Vacinação dos Povos Indígenas (MVPI).
A ação acontece em um momento considerado estratégico para fortalecer a cobertura vacinal em regiões historicamente marcadas por dificuldades logísticas, isolamento geográfico e acesso limitado aos serviços de saúde.
O lançamento da campanha ocorreu na aldeia Barão do Rio Branco, no município de Mâncio Lima, no Acre, território que reúne indígenas das etnias Puyanawa, Nukini e Nawa. A região foi escolhida justamente pelos desafios de deslocamento e assistência enfrentados pelas comunidades locais.
Segundo a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, a iniciativa busca ampliar a proteção coletiva e levar informação às comunidades de forma culturalmente respeitosa.
“Nosso objetivo é ampliar a cobertura vacinal justamente em locais de baixa cobertura, garantindo que a informação chegue de forma clara e respeitosa, e que a população compreenda a importância da imunização para a proteção individual e coletiva”, afirmou.

Saúde na floresta
A campanha envolve uma complexa operação logística para alcançar aldeias localizadas em áreas de difícil acesso da Amazônia e de outras regiões do país.
Em muitos casos, as equipes de saúde precisam utilizar barcos, pequenas aeronaves e longos deslocamentos terrestres para chegar às comunidades indígenas. A estratégia inclui ações de busca ativa para localizar indígenas ainda não imunizados e reforçar a atenção primária dentro dos territórios.
No ano passado, mais de 70 mil doses foram aplicadas, alcançando cerca de 57 mil indígenas em diferentes regiões do Brasil.
Para 2026, o Ministério da Saúde ampliou a meta diante da preocupação com a retomada de doenças imunopreveníveis e da necessidade de elevar os índices de cobertura vacinal entre populações vulneráveis.
Vacinas disponíveis
Durante o Mês de Vacinação dos Povos Indígenas, serão ofertadas vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação, incluindo imunizantes contra hepatites A e B, poliomielite, meningite, sarampo, febre amarela, influenza, HPV e Covid-19.
A mobilização também integra a 24ª Semana de Vacinação nas Américas e a 15ª Semana Mundial de Imunização, promovidas internacionalmente para ampliar a proteção contra doenças evitáveis.
Coordenada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), a campanha reforça uma das principais preocupações das autoridades sanitárias: evitar a circulação de doenças infecciosas em comunidades que muitas vezes possuem acesso restrito à rede pública de saúde.
Desafio amazônico
Na Amazônia, o desafio da vacinação indígena envolve fatores que vão além da logística.
Especialistas apontam que o avanço da cobertura vacinal depende também da construção de diálogo com lideranças comunitárias, respeito às especificidades culturais e combate à desinformação em territórios vulneráveis.
A expectativa do governo federal é que a campanha ajude a ampliar a imunização em regiões onde a cobertura vacinal ainda permanece abaixo da meta nacional.
Além da proteção contra doenças, a ação também busca fortalecer a presença da atenção básica em áreas indígenas e ampliar o acompanhamento contínuo das comunidades atendidas.


