Sabá Reis revela bastidores do rompimento de Rotta com grupo de David
Secretário nega traição, diz que ex-aliado tinha diferentes caminhos eleitorais no grupo e aponta Omar Aziz como possível destino político.
A saída de Marcos Rotta do grupo político do prefeito David Almeida ganhou uma nova versão nesta terça-feira (12/8). Em entrevista à jornalista Cileide Moussallem, o secretário Sabá Reis abriu os bastidores da ruptura, contestou a alegação de que Rotta teria sido traído e colocou sobre o próprio ex-aliado a decisão de deixar o projeto político do grupo.
A fala de Sabá acrescenta um novo capítulo a um rompimento que chama atenção justamente pela proximidade construída ao longo dos últimos anos. Rotta foi vice-prefeito de David, ocupou a Casa Civil da Prefeitura de Manaus e chegou a ser lançado, em março, como pré-candidato ao Senado pelo grupo.
Um dos integrantes mais próximos do núcleo político de David Almeida, Sabá afirmou que não faltavam alternativas eleitorais para Rotta.
“Aqui conosco ele seria, se quisesse, candidato a estadual, a federal, a vice-governador, a senador. O Rotta seria o que ele quisesse.”
A declaração vai diretamente ao centro da disputa de versões aberta após o afastamento. Em julho, Rotta confirmou que não disputaria cargo pelo Avante e classificou sua nova situação política como um “livramento”.
Na entrevista a Cileide, Sabá rejeitou a ideia de que o antigo aliado tenha sido “apunhalado pelas costas”.
“Quando fala que foi apunhalado, meu amigo, a faca está na tua mão. Não existe isso, não teve traição. Você não quis ser mais nada e o Davi não poderia ficar esperando.”
A dureza da resposta contrasta com a relação mantida entre os dois até pouco tempo atrás. Sabá, David Almeida, Renato Junior e Marcos Rotta integravam um núcleo de convivência que ultrapassava a política e alcançava também as relações pessoais e familiares.
Para Sabá, Rotta continuava sendo um nome importante dentro da composição eleitoral.
“Você era o candidato do Davi, o meu, o do Renato e da torcida do Flamengo. Mas foi você que não quis mais.”
O peso de Eduardo Braga
Um dos pontos sensíveis dessa história é a presença do senador Eduardo Braga no tabuleiro eleitoral de David Almeida.
Ao lançar Rotta como pré-candidato ao Senado, em março, David já deixava pública sua proximidade política com Braga e defendia que o senador tivesse liberdade para definir seu posicionamento na eleição.
Sabá sustenta que essa relação nunca foi escondida de Rotta.
“Não estava nisso ninguém enganado. O Rotta sempre soube que o Eduardo era preferencialmente.”
Na avaliação do secretário, portanto, a posição de David em relação a Braga não surgiu depois da pré-candidatura de Rotta e não deveria ter causado surpresa.
Ao mesmo tempo, Sabá deixou transparecer que o rompimento ultrapassou o terreno estritamente eleitoral.
“Hoje nós estamos em campos opostos, nós somos adversários. Espero que inimigos não precisem ser.”
E agora, para onde vai Rotta?
Se Sabá foi categórico ao negar a traição, também colocou outra questão sobre a mesa: o futuro político do ex-aliado.
Questionado por Cileide sobre os próximos movimentos de Rotta, apontou para uma possível reaproximação com Omar Aziz.
“Tenho uma ligeira impressão que ele vai retornar de onde ele veio. Ele veio para Manaus pelas mãos do Omar. O Omar é padrinho de um filho dele.”
A hipótese lançada por Sabá acrescenta um ingrediente importante à movimentação política em torno de Rotta. Depois de deixar o grupo de David e desistir de disputar as eleições pelo Avante, seu próximo apoio passa a ser observado como uma peça na reorganização das forças políticas para 2026.
Sabá ainda fez um alerta ao antigo aliado. Disse que Rotta precisa avaliar cuidadosamente o próximo passo para não comprometer uma trajetória política que classificou como “bonita, vitoriosa e respeitada pelas pessoas”.
A amizade política se rompeu, pelo menos por enquanto. O que permanece aberto é o destino de Rotta — e o peso que sua escolha poderá ter num tabuleiro eleitoral em plena reorganização.


