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Codam aprova R$ 1,65 bilhão e projeta mais de 2 mil empregos

Reunião aprova 63 projetos industriais e eleva para 277 o número de propostas autorizadas em 2026. Polo Industrial de Manaus já registra recorde de 135 mil empregos diretos.

A indústria amazonense encerrou outubro com novas perspectivas de expansão econômica. O Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) aprovou, nesta quinta-feira (29/10), 63 projetos industriais que representam investimentos previstos de R$ 1,65 bilhão e potencial para gerar mais de 2 mil postos de trabalho. As propostas contemplam desde a instalação de novas unidades produtivas até a diversificação de atividades de empresas que já operam no estado.

A aprovação ocorreu durante a 322ª reunião ordinária do conselho, realizada no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), no Distrito Industrial de Manaus, sob a presidência do governador Roberto Cidade.

O resultado amplia o volume de projetos autorizados ao longo de 2026 e reforça a perspectiva de crescimento do Polo Industrial de Manaus (PIM), que registrou, em agosto, a marca histórica de 135.080 empregos diretos.

Os investimentos anunciados ainda dependem da execução dos empreendimentos e do cumprimento dos respectivos cronogramas. Ainda assim, a aprovação representa uma etapa importante para a expansão da atividade industrial e para a formação de novas oportunidades de trabalho na economia regional.

Diversificação e ampliação de investimentos

Dos 63 projetos aprovados pelo Codam, 27 são destinados à implantação de empreendimentos, outros 27 à diversificação industrial e nove à atualização de atividades produtivas.

A distribuição das propostas demonstra que o movimento de expansão não está concentrado apenas na chegada de novas empresas. Parte dos investimentos está relacionada à ampliação da capacidade de produção e à incorporação de novos produtos às linhas industriais existentes.

Entre os empreendimentos de maior volume financeiro está o do Grupo Multilaser, com previsão de R$ 601,5 milhões em investimentos e geração de 202 empregos. A proposta envolve a fabricação de televisores com tela de cristal líquido e equipamentos para captura de dados comerciais.

Outro destaque é a Sunhope da Amazônia, que prevê aplicar R$ 162,4 milhões na produção de inversores solares, medidores digitais de consumo de água e módulos de armazenamento de energia elétrica. O projeto estima a criação de 237 postos de trabalho.

No segmento agroindustrial, a Agropam Agricultura e Pecuária Amazonas apresentou investimento de R$ 59,7 milhões, com previsão de 197 empregos, destinados à produção de carne bovina beneficiada e subprodutos da atividade frigorífica.

Já a Perplasc Indústria de Perfis e Chapas Plásticas teve aprovado um projeto de implantação estimado em R$ 26,1 milhões, com potencial para gerar 138 empregos na fabricação de compostos termoplásticos e resinas.

A presença de projetos ligados à energia, tecnologia, alimentos e transformação de materiais também evidencia a busca por uma base industrial mais diversificada, capaz de atender diferentes mercados e cadeias produtivas.

Zona Franca registra recorde de empregos

A reunião também colocou em evidência o desempenho recente do Polo Industrial de Manaus.

Segundo dados apresentados pelo superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, o parque fabril alcançou 135.080 empregos diretos em agosto de 2026, o maior resultado já registrado pelo modelo industrial.

A expectativa da autarquia é de que os números de setembro superem essa marca e que o faturamento acumulado de 2026 ultrapasse o resultado de 2025, até então considerado o maior da história da Zona Franca de Manaus.

Para Montenegro, o desempenho está relacionado à combinação entre os incentivos federais administrados pela Suframa e os benefícios estaduais concedidos por meio do Codam.

Essa articulação, segundo ele, oferece condições de competitividade e segurança jurídica para a instalação e ampliação de empreendimentos industriais no Amazonas.

O superintendente também destacou que o fortalecimento do modelo precisa ultrapassar os indicadores econômicos e alcançar a população por meio da geração de oportunidades.

“Mais do que atrair investimentos, nosso compromisso é transformar esses investimentos em empregos, renda, inovação e desenvolvimento sustentável para a população amazonense”, afirmou.

A avaliação reforça um dos principais desafios do modelo Zona Franca: fazer com que o crescimento da produção industrial seja acompanhado por avanços nas condições de vida, na qualificação profissional e na distribuição dos benefícios econômicos.

Codam se aproxima de novo recorde de projetos

Com as aprovações desta quinta-feira, o Codam alcançou 277 projetos industriais autorizados em 2026.

O número aproxima o conselho do recorde histórico de 320 projetos aprovados em 2025. Como ainda está prevista uma reunião em dezembro, existe a possibilidade de o atual exercício superar a marca anterior.

Para isso, serão necessárias pelo menos 44 novas aprovações na última reunião do ano.

O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Gustavo Igrejas, destacou o desempenho da Zona Franca de Manaus e apresentou uma projeção otimista para o encerramento de 2026.

Com quatro décadas de acompanhamento do modelo industrial, Igrejas afirmou considerar este o melhor momento da ZFM e estimou que o faturamento poderá alcançar US$ 46 bilhões até dezembro.

A projeção, caso confirmada, representará mais um marco para a indústria amazonense e fortalecerá o papel do parque fabril na economia regional.

Crescimento industrial e desenvolvimento regional

A aprovação dos projetos também evidencia a importância da política de incentivos fiscais como instrumento de atração de empresas para a Amazônia.

O modelo da Zona Franca de Manaus procura compensar desvantagens logísticas e estruturais da região, criando condições para que atividades industriais se desenvolvam em uma área distante dos principais centros consumidores do país.

Entretanto, a expansão dos investimentos coloca em discussão outros fatores necessários à manutenção da competitividade, como infraestrutura, transporte, fornecimento de energia, formação de trabalhadores e incorporação de novas tecnologias.

O crescimento do Polo Industrial também tem reflexos sobre a arrecadação pública, a contratação de fornecedores, a circulação de mercadorias e a demanda por serviços na capital amazonense.

Nesse cenário, o volume de projetos aprovados funciona como um indicador de intenção de investimento, mas sua contribuição efetiva dependerá da implantação das unidades produtivas, da execução dos recursos previstos e da concretização das contratações anunciadas.

Meio século da Moto Honda em Manaus

A reunião do Codam também foi marcada por homenagens à trajetória industrial amazonense.

Uma delas destacou os 50 anos da fábrica da Moto Honda em Manaus, que serão completados em 4 de novembro. Instalada no Polo Industrial desde 1976, a empresa já produziu mais de 33 milhões de motocicletas na capital amazonense.

A trajetória da montadora acompanha parte importante da consolidação do parque industrial e da formação de uma cadeia produtiva ligada ao setor de duas rodas.

Durante o encontro, também foi realizada uma homenagem póstuma ao empresário Victor Simões da Silva, filho do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva. Victor morreu em 16 de outubro de 2026, aos 51 anos.

Com mais uma rodada de investimentos autorizada, o Amazonas chega aos últimos meses do ano diante da possibilidade de estabelecer novos recordes industriais.

O resultado do Codam representa um avanço no planejamento de expansão produtiva. O próximo passo será acompanhar a transformação desses projetos em fábricas, produção, empregos e benefícios concretos para a economia amazonense.

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