Justiça do Amazonas inicia mutirão com 8 mil audiências
Semana Nacional da Conciliação começa nesta terça-feira (3) e mobiliza unidades judiciais da capital e do interior até sexta-feira (6)
Resolver conflitos por meio do diálogo, reduzir o tempo de espera por decisões judiciais e facilitar a construção de acordos entre as partes. Essa é a proposta da 21ª Semana Nacional da Conciliação, que começa nesta terça-feira (3), no Amazonas, com mais de 8 mil audiências programadas até o dia 6 de novembro.
A abertura oficial será realizada às 8h, no auditório do Fórum Cível Euza Maria Naice de Vasconcellos, em Manaus. Coordenada pela Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas (CGJ-AM), a mobilização integra uma iniciativa nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reúne tribunais de todo o país para estimular soluções consensuais de conflitos.
Na Justiça Estadual amazonense, estão previstas 8.030 audiências. Desse total, aproximadamente 6.700 integram as pautas regulares das unidades judiciais da capital e do interior. Outras 1.330 serão realizadas pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) Cível de Manaus, com a participação de 42 grandes litigantes.
A conciliação permite que pessoas, empresas e instituições envolvidas em disputas judiciais busquem uma solução negociada, com a participação de conciliadores e a possibilidade de homologação do acordo pela Justiça.
Além de evitar o prolongamento de processos, a medida pode representar economia de tempo e recursos para os envolvidos.
Acordos movimentaram R$ 21 milhões em 2025
Os resultados da edição anterior demonstram o alcance da iniciativa no Amazonas. Em 2025, a Semana Nacional da Conciliação atendeu 19,3 mil pessoas e realizou 8.669 audiências, das 11.079 inicialmente programadas.
Ao final da mobilização, foram homologados 2.385 acordos, com benefícios econômicos diretos de R$ 21,2 milhões, segundo dados divulgados pela Corregedoria-Geral de Justiça.
Para 2026, a expectativa do Judiciário é manter resultados expressivos e ampliar as oportunidades de resolução consensual de processos.
Como funciona a conciliação
Durante as audiências, as partes têm a oportunidade de apresentar suas propostas e negociar alternativas para encerrar o conflito. O procedimento é conduzido por profissionais capacitados, que procuram facilitar o entendimento entre os envolvidos.
Diferentemente de uma decisão imposta pelo juiz, a conciliação depende da concordância das partes. Caso não seja possível chegar a um entendimento, o processo poderá seguir seu curso normal na Justiça.
No Amazonas, a programação foi organizada em duas frentes. A primeira concentra demandas repetitivas e processos envolvendo grandes litigantes, sob coordenação do Cejusc Cível. A segunda reúne audiências das varas judiciais e dos Juizados Especiais da capital e do interior.
O prazo específico para solicitar a inclusão de processos na programação de 2026 terminou em 23 de outubro. Os interessados em buscar uma solução consensual fora desse calendário podem procurar a unidade judicial responsável por seu processo para obter orientações sobre a possibilidade de conciliação.
Realizada nacionalmente desde 2006, a Semana da Conciliação integra a política do CNJ de incentivo à solução pacífica de conflitos e ao acesso à Justiça.
Mais do que reduzir o volume de processos, a iniciativa procura estimular uma cultura de diálogo, na qual a construção de acordos se apresenta como alternativa para resolver divergências e evitar disputas judiciais prolongadas.
Foto: Chico Batata


