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Sarampo avança no Amazonas e Manaus reforça vacinação

Com 23 casos confirmados no Alto Solimões, capital promove Dia D neste sábado (7); cobertura da segunda dose está abaixo da meta de 95%

O avanço do sarampo na região de fronteira do Amazonas acendeu o alerta das autoridades de saúde. Em apenas dois meses, 23 casos foram confirmados no Alto Solimões, onde o estado faz fronteira com Peru e Colômbia. Diante do risco de disseminação do vírus, Manaus realiza neste sábado (7) uma mobilização para ampliar a vacinação e evitar que a doença volte a circular na capital.

O Dia D, organizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), terá atendimento em dez Unidades de Saúde da Família (USFs), distribuídas pelas zonas Norte, Sul, Leste e Oeste. Duas delas também funcionarão no domingo (8), facilitando o acesso de quem não consegue procurar os serviços de vacinação durante a semana.

Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP), os casos registrados entre setembro e o início de novembro ocorreram nos municípios de Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Tabatinga. Entre os pacientes estão brasileiros e peruanos, incluindo indígenas dos povos kokama e mayuruna.

Um dado chama atenção: 83% das pessoas diagnosticadas com sarampo no estado não estavam vacinadas, evidenciando a importância da imunização para impedir novas cadeias de transmissão.

Segunda dose preocupa autoridades

Embora Manaus apresente cobertura de 99% para a primeira dose da vacina contra o sarampo, a proteção das crianças ainda enfrenta uma dificuldade: a conclusão do esquema vacinal.

Até outubro de 2026, a cobertura da segunda dose estava em 83,71%, índice inferior à meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

A diferença representa um desafio para a prevenção de uma doença altamente contagiosa, capaz de se espalhar rapidamente entre pessoas suscetíveis.

A secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, alerta que a circulação do vírus em municípios amazonenses exige atenção redobrada da população.

“O risco do sarampo chegar a Manaus é real, por isso precisamos estar protegidos e a vacinação, ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a forma mais eficaz de enfrentamento à disseminação do vírus”, afirmou.

Segundo a Semsa, Manaus não registra, até o momento, casos suspeitos ou confirmados da doença.

O último caso de transmissão local foi identificado em 2018, ano em que a capital enfrentou um surto com mais de sete mil notificações. Posteriormente, foram confirmados dez casos importados, sendo três em 2019 e sete em 2020.

Vacinação também é necessária para adultos

A campanha não é destinada apenas às crianças. Jovens e adultos que não foram vacinados ou estão com o esquema incompleto também devem procurar uma unidade de saúde.

Pelo Calendário Nacional de Vacinação, crianças recebem a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas de até 29 anos precisam comprovar duas doses, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma dose registrada.

Para os trabalhadores da saúde, a recomendação é de duas doses, independentemente da idade.

A vacinação é gratuita e permanece disponível durante todo o ano em mais de 170 salas de vacina da rede municipal.

A gerente de Imunização da Semsa, Isabel Hernandes, destaca que a atualização da caderneta é indispensável para ampliar a proteção coletiva, especialmente diante do registro de casos em outros países das Américas.

O alerta também vale para quem pretende viajar para regiões onde o vírus está circulando.

Doença pode provocar complicações graves

Transmitido pelo ar, o sarampo pode passar de uma pessoa para outra durante a respiração, a fala, a tosse ou o espirro. Entre os principais sintomas estão febre, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza e conjuntivite.

Além do desconforto inicial, a infecção pode provocar pneumonia, complicações respiratórias e encefalite, uma inflamação do cérebro. Crianças pequenas, gestantes e pessoas com imunidade comprometida apresentam maior risco de agravamento.

Quem apresentar febre acompanhada de manchas vermelhas deve procurar atendimento médico, preferencialmente informando previamente à unidade de saúde sobre a suspeita. É importante evitar contato com outras pessoas e utilizar máscara durante o deslocamento.

A Semsa recomenda ainda comunicar aos profissionais de saúde eventuais viagens recentes ou contato com pessoas que apresentaram sintomas semelhantes. A mobilização busca ampliar a proteção da população antes que novos casos sejam identificados na capital, evitando a repetição de surtos como o registrado em 2018.

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