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Entre riscos e conquistas, a vida de quem desafia as arenas

Na Expoferr 2026, histórias de superação, despedidas e participação feminina revelam os desafios de peões e amazonas no rodeio e na vaquejada

O espetáculo dura poucos segundos, mas a preparação pode levar anos. Antes de entrar na arena, peões e amazonas enfrentam uma rotina de treinamentos, viagens, investimentos e riscos que o público nem sempre conhece. Na 45ª Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr), realizada em Boa Vista, as competições de rodeio e vaquejada revelam histórias de quem transformou a paixão pelo esporte em parte da própria vida.

Entre os participantes estão competidores experientes, jovens que buscam reconhecimento e atletas que percorrem grandes distâncias para disputar uma premiação. Para muitos, conquistar uma fivela representa mais do que uma vitória: é o resultado de meses de dedicação.

Segundo o empresário Rogério Poliselli, coordenador das provas, alguns competidores chegam à feira com até dez dias de antecedência. Os custos incluem transporte, inscrições, equipamentos, hospedagem e preparação dos animais.

A expectativa de alcançar uma final movimenta participantes de Roraima e de outros estados da região Norte, como Amazonas, Pará e Rondônia.

Peão indígena se despede das arenas após 23 títulos

Natural da comunidade indígena Arapá, no município de Uiramutã, em Roraima, Gel Melquior, de 40 anos, carrega uma trajetória de mais de 15 anos na montaria em touros. A ligação com o universo rural começou na infância, acompanhando o pai no trabalho com gado e cavalos.

A paixão pelo rodeio foi tão intensa que, ainda jovem, percorreu 32 quilômetros a pé para assistir a uma competição. Anos depois, tornou-se competidor, enfrentou uma lesão grave que interrompeu sua carreira e retornou às disputas em 2015.

Desde então, acumulou 23 títulos e participou de 53 finais em competições realizadas em Roraima, Amazonas e São Paulo.

“É uma profissão que não é fácil. Muitas pessoas ainda não reconhecem o competidor de montaria em touros como um profissional. Mas é um sonho que nasce com a gente”, conta.

Na Expoferr 2026, Gel participa de seu último rodeio. Depois de anos enfrentando a imprevisibilidade e os perigos da montaria, seu maior desejo é encerrar a trajetória sem sofrer novas lesões.

Mais do que as premiações, o peão leva consigo o orgulho de ter representado sua comunidade e o município de Uiramutã em arenas de diferentes estados brasileiros.

Mulheres buscam reconhecimento na vaquejada

Se a montaria em touros exige coragem diante dos riscos, a vaquejada também impõe desafios financeiros e de reconhecimento, especialmente às mulheres.

Aos 25 anos, Tereza Policarpo representa uma geração de amazonas que busca ampliar seu espaço nas competições. Natural de Caracaraí e moradora de Boa Vista há seis anos, ela começou a competir oficialmente em 2023, depois de conseguir comprar o próprio cavalo.

A conquista representou apenas o início de uma rotina de despesas. Alimentação, acompanhamento veterinário, treinamento, transporte e inscrições exigem investimentos constantes.

Tereza observa que as premiações destinadas à categoria feminina nem sempre acompanham os custos da participação.

“É um esporte muito caro, principalmente para a categoria feminina, que ainda não é tão valorizada em relação à premiação. Muitas vezes, o valor ganho não paga os custos de manter um cavalo e levá-lo para uma prova”, afirma.

Para ela, competir também significa construir uma relação de confiança com o animal. Os cavalos precisam de preparação física e cuidados diários, enquanto as amazonas desenvolvem técnica e resistência para enfrentar as provas.

A jovem resume a motivação de muitas competidoras: mesmo quando o retorno financeiro é insuficiente, o desejo de conquistar um troféu mantém viva a paixão pela modalidade.

Expoferr movimenta o agronegócio em Roraima

As histórias de Gel e Tereza integram a programação da 45ª Expoferr, realizada até sábado (7), no Parque de Exposições Dandãezinho, na BR-174, zona rural de Boa Vista.

Com expectativa de movimentar aproximadamente R$ 1 bilhão em negócios, a feira reúne atividades ligadas ao agronegócio, agricultura familiar, inovação, competições esportivas e apresentações musicais.

A programação cultural desta sexta-feira (6) inclui shows de Augusto e Atílio e Iguinho e Lulinha. No sábado (7), o encerramento terá apresentações de Sâmi Rico e César Menotti & Fabiano.

Promovida pelo Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima (Faerr), a Expoferr também funciona como ponto de encontro de competidores que fazem das arenas um espaço de conquistas, desafios e histórias de vida.

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