Polícia apreende celular e computador de Maria do Carmo
Equipamentos serão periciados para investigar possível participação da ex-candidata na divulgação de imagens envolvendo a filha adolescente de Omar Aziz; defesa denuncia perseguição política
A Polícia Civil do Amazonas apreendeu, na manhã desta sexta-feira (6), o celular e o computador pessoal da empresária e ex-candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL), durante o cumprimento de um mandado judicial de busca e apreensão em sua residência, na rua Acre, no Vieiralves, zona centro-sul de Manaus.
Os equipamentos serão submetidos à extração e análise de dados para esclarecer a possível participação da ex-candidata na produção e divulgação de conteúdos nas redes sociais envolvendo a filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD), durante a campanha eleitoral de 2026.
A operação ocorreu após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) revogar a liminar que havia suspendido as buscas. A decisão restabeleceu a autorização para o recolhimento de materiais considerados relevantes para a investigação, conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Maria do Carmo não estava na residência quando os policiais chegaram para cumprir a determinação judicial. Segundo informações divulgadas pelo g1 Amazonas, ela compareceu ao imóvel por volta das 6h18, quando as diligências já estavam em andamento.
Na quinta-feira (5), a ex-candidata havia publicado um vídeo nas redes sociais afirmando que aguardava a chegada da polícia e que confiava na Justiça.

Delegado relata resistência durante operação
O delegado Marcelo Martins, que assumiu a condução do inquérito por determinação da Delegacia Geral da Polícia Civil, afirmou que houve dificuldades durante o cumprimento da ordem judicial, relacionadas a discussões técnicas e jurídicas sobre os limites da busca.
Apesar dos questionamentos, segundo ele, os policiais conseguiram executar integralmente a determinação.
“Foi uma diligência difícil. Nós encontramos alguma resistência durante a execução do mandado”, declarou o delegado em entrevista à imprensa.
Martins confirmou que os aparelhos eletrônicos apreendidos passarão por análise para verificar a eventual participação de Maria do Carmo e de outras pessoas investigadas.
O delegado também afirmou que a investigação já identificou uma violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas que ainda é necessário esclarecer a responsabilidade individual dos envolvidos.
A apuração busca identificar quem participou da produção, manipulação e divulgação dos conteúdos e qual teria sido o papel de cada investigado.
Investigação envolve imagens de adolescente
O inquérito teve origem em denúncias relacionadas à utilização de imagens da filha adolescente de Omar Aziz em conteúdos divulgados durante a disputa eleitoral.
Segundo as informações da investigação, as publicações foram associadas a acusações de pedofilia dirigidas ao governador eleito.
A Polícia Civil apura possíveis crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, incluindo dispositivos relacionados à divulgação e manipulação de imagens de crianças e adolescentes em contextos de exploração sexual.
Em 29 de outubro, a investigação já havia motivado diligências em endereços ligados a profissionais que participaram da campanha eleitoral da ex-candidata.
A nova etapa busca aprofundar a análise das provas digitais e esclarecer as circunstâncias da circulação do material nas redes sociais.
Defesa denuncia perseguição política e abuso de autoridade
Em nota divulgada nesta sexta-feira, a defesa de Maria do Carmo criticou a condução da operação e afirmou que houve desrespeito a garantias legais e prerrogativas da advocacia.
Os advogados classificaram a medida como parte de uma suposta perseguição política contra a ex-candidata e levantaram questionamentos sobre possível abuso de autoridade durante o cumprimento do mandado.
A defesa também criticou a divulgação de informações relacionadas ao processo, que tramita sob segredo de Justiça, e afirmou que Maria do Carmo vem tendo sua imagem exposta desde o resultado das eleições.
Segundo os advogados, a empresária sempre esteve disposta a colaborar com as investigações e a contribuir para a identificação dos responsáveis por eventuais irregularidades.
A defesa sustenta que a ex-candidata não participou dos fatos investigados e afirma confiar no esclarecimento do caso.
Antes da operação, os advogados também haviam apresentado um habeas corpus preventivo para tentar evitar uma eventual prisão.
Próximos passos da investigação
Com a apreensão dos equipamentos eletrônicos, a Polícia Civil deverá avançar na análise dos dados armazenados, incluindo informações que possam contribuir para identificar os responsáveis pela produção e disseminação do conteúdo investigado.
Embora o delegado Marcelo Martins tenha afirmado que a investigação identificou a ocorrência de crime, a eventual participação de Maria do Carmo ainda está sendo apurada.
Até o momento, não há informação de prisão da ex-candidata.
O caso segue sob investigação, e a definição de responsabilidades individuais dependerá da análise das provas e dos demais procedimentos legais.


