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Com venda de ativos, reservas da Petrobrás caem pelo segundo ano seguido

Empresa preferiu privilegiar o critério norte-americano na divulgação

A Petrobrás informou que suas reservas provadas de petróleo caíram 0,16% em 2019, chegando ao final do ano em 9,59 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás).

É o segundo ano seguido de queda, com influência do processo de venda de ativos da estatal. Em 2018, a redução foi de 1,49%, segundo critérios de avaliação reconhecidos pela SEC (o órgão regulador do mercado financeiro dos Estados Unidos).

O indicador de reservas provadas calcula quanto petróleo e gás natural uma empresa consegue produzir nas áreas sob sua concessão, segundo a tecnologia existente e as perspectivas de preço do petróleo.

É usado para avaliar o valor de uma petroleira e varia de acordo com o volume produzido pela empresa e as descobertas de novas reservas durante o ano.

Em 2019, a Petrobrás produziu 913 milhões de barris de petróleo e gás e acrescentou às reservas provadas 969 milhões de barris, fruto da revisão do contrato de cessão onerosa e a aprovação de novos projetos nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo.

Assim, desconsiderando as vendas de ativos, haveria uma reposição de 106% do volume produzido. Os desinvestimentos, porém, subtraíram 72 milhões de barris das reservas provadas da companhia.

Em nota, a Petrobrás diz que o volume é referente às vendas de 34 campos terrestres de petróleo no Rio Grande do Norte, quatro campos marítimos na Bacia de Campos e 50% de participação em outros dois projetos na Bacia de Campos.

De acordo com critérios técnicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), as reservas provadas da estatal somaram 11,2 bilhões de barris de óleo equivalente em 2019.

A diferença, diz a empresa, está associada a premissas econômicas, como preços e custos, e à possibilidade de considerar estimativas de produção para além dos prazos contratuais das concessões.

Diferentemente de anos anteriores, porém, a Petrobrás preferiu privilegiar o critério norte-americano na divulgação de 2019.

Embora o plano de venda de ativos continue em curso, a expectativa é que a estatal reverta a queda no indicador de reservas quando começar a contabilizar descobertas em áreas adquiridas nos últimos leilões da ANP.

No fim de 2019, a empresa liderou, com 90% de participação, consórcio que arrematou a a área de Búzios, a maior do chamado megaleilão do pré-sal, com reservas estimadas em até dez bilhões de barris.

Maior descoberta de petróleo do país, Búzios já é hoje o segundo maior produtor de petróleo do país: em dezembro, extraiu, em média, 453 mil barris de petróleo e 17 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

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