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Indústria, agro e bioeconomia redesenham a economia do Amazonas

PIB cresce 2,87% no primeiro trimestre e revela um Estado que mantém a força da Zona Franca, amplia o protagonismo do agronegócio e aposta na economia da floresta como estratégia para o futuro

MANAUS – Durante décadas, a economia do Amazonas teve um protagonista absoluto: o Polo Industrial de Manaus (PIM). Responsável por impulsionar a arrecadação, o emprego e boa parte da riqueza produzida no Estado, a indústria continua ocupando posição central. Mas os indicadores econômicos mais recentes mostram que um novo movimento começa a ganhar forma. Ao lado da Zona Franca, o agronegócio amplia sua participação e a bioeconomia passa a ocupar espaço estratégico na agenda de desenvolvimento estadual.

Os dados divulgados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas cresceu 2,87% em termos reais no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em valores correntes, a economia estadual movimentou aproximadamente R$ 47,5 bilhões, confirmando um cenário de expansão sustentado principalmente pela atividade industrial.

ZFM segue como principal motor da economia

A força da indústria permanece evidente nos números.

Somente nos três primeiros meses do ano, o setor industrial movimentou cerca de R$ 16,1 bilhões, registrando crescimento superior a 7% em valores nominais. O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pelo Polo Industrial de Manaus, com destaque para os segmentos de motocicletas, eletroeletrônicos, bens de informática e duas rodas, que continuam liderando a produção industrial do Estado.

Os dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) reforçam esse cenário. O faturamento das indústrias instaladas no PIM alcançou R$ 58,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mantendo o Amazonas entre os principais polos industriais do país e preservando milhares de empregos diretos e indiretos.

Esse desempenho confirma que a indústria continua sendo o principal eixo da economia amazonense, especialmente em um momento de recuperação da atividade produtiva nacional.

Expansão do agronegócio

Se a indústria continua liderando, o interior do Estado começa a apresentar novos sinais de dinamismo.

Embora ainda represente uma parcela menor do PIB, a agropecuária registrou crescimento nominal superior a 5% no primeiro trimestre. O avanço é impulsionado pela expansão de cadeias produtivas como cacau, café robusta amazônico, tomate, mandioca, piscicultura e fruticultura, atividades que vêm ampliando a geração de renda em diferentes municípios amazonenses.

Entre os exemplos mais expressivos está a cafeicultura. Nos últimos anos, a área cultivada com Robustas Amazônicos apresentou crescimento superior a 300%, resultado de investimentos em pesquisa, assistência técnica e adoção de novas tecnologias no campo. O café produzido no Amazonas passou a conquistar reconhecimento nacional pela qualidade, abrindo novas oportunidades de mercado para produtores do interior.

O fortalecimento dessas cadeias produtivas contribui para reduzir a concentração econômica na capital e amplia as alternativas de desenvolvimento regional.

Bioeconomia desponta como próxima fronteira

Ainda que sua participação direta no PIB seja reduzida quando comparada à indústria e ao agronegócio, a bioeconomia ocupa hoje uma posição estratégica nas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Projetos ligados ao manejo florestal sustentável, cadeias da sociobiodiversidade, créditos de carbono, produtos da floresta, inovação e pesquisa científica vêm atraindo investimentos públicos e privados. A proximidade da COP30 e o interesse internacional pela economia de baixo carbono também colocam o Amazonas em posição privilegiada para captar recursos destinados a iniciativas ambientais e de inovação.

Mais do que um setor consolidado, a bioeconomia representa uma aposta de longo prazo: transformar a biodiversidade amazônica em riqueza, agregando valor aos produtos da floresta sem comprometer sua conservação.

O desafio é crescer com diversificação

Os números do primeiro trimestre mostram que o Amazonas vive um momento favorável, mas também evidenciam um desafio histórico.

A economia estadual continua fortemente dependente do desempenho da Zona Franca de Manaus. Ao mesmo tempo, o crescimento do agronegócio e o fortalecimento da bioeconomia indicam que o Estado começa a construir uma base produtiva mais diversificada, combinando indústria, produção rural sustentável e inovação.

Especialistas apontam que a consolidação desse novo ciclo dependerá da ampliação dos investimentos em infraestrutura logística, pesquisa, qualificação profissional e segurança jurídica, fatores considerados essenciais para integrar o potencial industrial da capital às oportunidades econômicas do interior.

Mais do que registrar um bom desempenho conjuntural, o crescimento observado em 2026 sinaliza uma mudança gradual no perfil da economia amazonense. A Zona Franca permanece como principal motor do desenvolvimento, mas já divide espaço com atividades que podem ampliar a competitividade do Estado nas próximas décadas.

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