TRE-AM promove capacitação inclusiva para mesários
Pela primeira vez, a 1ª Zona Eleitoral contará com uma voluntária surda entre os mesários, com apoio de intérprete de Libras durante a votação.
A preparação para as Eleições 2026 no Amazonas ganhou um significado que vai além dos procedimentos técnicos da votação. Pela primeira vez, a 1ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) terá uma mesária voluntária surda atuando diretamente em uma seção eleitoral.
A participação da professora Sheila Colares, de 41 anos, marca um avanço na política de acessibilidade da Justiça Eleitoral e reforça uma dimensão essencial do processo democrático: não basta garantir o direito ao voto, é preciso também ampliar as condições para que mais pessoas possam participar da organização das eleições.
Sheila é pós-graduada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e ministra curso básico de Libras na Escola de Contas Públicas do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM). Nas Eleições 2026, atuará como primeira mesária e contará com o acompanhamento de um intérprete tanto durante a capacitação quanto no dia da votação.
“Estou feliz com a oportunidade. Quero incentivar outras pessoas a serem voluntárias, ver que é possível e é um direito de todos. Agradeço ao TRE-AM por abrir as portas para a acessibilidade”, afirmou.

Inclusão eleitoral
A presença de Sheila entre os mesários transforma uma iniciativa de acessibilidade em participação efetiva.
Para o coordenador da 1ª Zona Eleitoral, Rômulo Máximo, a ampliação desse espaço contribui para tornar o processo eleitoral mais representativo.
“Esse trabalho também se constrói com a participação de quem atua nos bastidores das eleições e abre espaço para que mais pessoas contribuam diretamente com o processo eleitoral e fortalece uma eleição mais inclusiva, representativa e acessível”, afirmou.
A inclusão de uma mesária surda também tem potencial para produzir um efeito simbólico importante. Ao ocupar uma função central no funcionamento da seção eleitoral, Sheila ajuda a romper a ideia de que pessoas com deficiência devem participar apenas como destinatárias de políticas de acessibilidade.
Nesse caso, ela passa a fazer parte da própria estrutura responsável por garantir o exercício do voto.

Participação voluntária
O treinamento realizado nesta segunda-feira (24/8) reuniu presidentes de mesa e primeiros mesários que trabalharão nas Eleições 2026.
Entre os participantes estava também Tiago Colares, de 38 anos, que chega à quinta experiência como mesário. Apesar do sobrenome em comum, ele não tem parentesco com Sheila.
Analista de recursos humanos e professor do Senac Amazonas, Tiago atuará pela primeira vez como colaborador da Justiça Eleitoral em Manaus depois de transferir o título de Manacapuru para a capital.
“O treinamento está super proveitoso e acredito que tem grandes modificações que ajudam a melhorar o processo e a agilidade no dia da eleição”, avaliou.
A presença de mesários experientes ao lado de novos voluntários integra uma das estratégias da Justiça Eleitoral para assegurar que as equipes estejam preparadas para lidar não apenas com a rotina da votação, mas também com situações inesperadas dentro das seções.
Preparação prática
A 1ª Zona Eleitoral reúne 318 seções e prepara aproximadamente 636 colaboradores para o pleito.
Na capacitação presencial, os mesários recebem orientações teóricas e participam de simulações das principais etapas da eleição. O treinamento começa pela emissão da zerésima, documento que comprova que a urna não possui votos registrados antes da abertura da seção, e passa pelo atendimento ao eleitor, identificação biométrica e encerramento da votação.
Também são simulados procedimentos para situações como falhas no reconhecimento da impressão digital e outras ocorrências que podem exigir decisões rápidas por parte das equipes.
Enquanto presidentes e primeiros mesários fazem a preparação presencialmente, segundos mesários e secretários cumprem a capacitação pelo aplicativo Mesário, entre 17 de agosto e 19 de setembro.
Democracia acessível
A Justiça Eleitoral depende de milhares de cidadãos para fazer a votação funcionar no dia do pleito. Nesse cenário, ampliar a diversidade entre os próprios colaboradores representa um passo importante para tornar o processo mais próximo da sociedade que ele pretende representar.
A estreia de Sheila Colares como mesária voluntária na 1ª Zona Eleitoral carrega justamente esse simbolismo.
Mais do que adaptar uma estrutura para receber uma pessoa com deficiência, a experiência mostra que acessibilidade também significa garantir condições para que ela participe, decida, trabalhe e ocupe espaços dentro do próprio processo democrático.
Fotos: Júnior Souza/TRE-AM


