Pirarucu manejado ganha espaço na merenda escolar de Manaus
Pescado produzido por comunidades do Amazonas alia geração de renda, conservação ambiental e alimentação regional nas escolas
O pirarucu manejado por comunidades tradicionais do Amazonas vem ampliando sua presença nos mercados institucionais e consolidando uma cadeia que une conservação ambiental, geração de renda e segurança alimentar. Em Manaus, o pescado integra a alimentação dos estudantes da rede municipal desde 2017.
A produção é realizada por pescadores de 13 regiões do Estado e comercializada pela marca coletiva Gosto da Amazônia. O manejo envolve vigilância dos ambientes aquáticos, planejamento comunitário e contagem dos peixes nos lagos antes da definição da quantidade autorizada para captura pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Entre as áreas produtoras está o Médio Juruá, onde a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc) atua na organização da cadeia e na abertura de mercados para o pescado manejado.
Da floresta à escola
Há nove anos, a Asproc participa das chamadas públicas realizadas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para fornecer pirarucu à Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed).

Para as escolas, o peixe é fornecido em filés sem espinhas, com peças de 1 a 1,5 quilo. O formato facilita o preparo das refeições, reduz desperdícios e aumenta a segurança no consumo pelas crianças.
A presença do pescado amazônico também chegou às competições nacionais de alimentação escolar. O prato “steak de pirarucu com banana-pacovã”, preparado no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Manuel Bandeira, venceu a etapa estadual do 3º Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Produção cresce
A expansão do manejo chama atenção no Médio Juruá. Em 2011, foram pescados 140 pirarucus em quatro ambientes aquáticos na região onde atua a Asproc. Para 2026, a previsão apresentada pela associação é chegar a 7,7 mil peixes, cerca de 380 toneladas, distribuídos por aproximadamente 170 áreas de pesca.

O crescimento amplia as possibilidades de comercialização para escolas e outros órgãos públicos, embora a cadeia ainda enfrente desafios relacionados às grandes distâncias amazônicas, infraestrutura, processamento e distribuição.
Para as comunidades, a expansão das compras públicas representa também uma oportunidade de transformar a conservação dos estoques naturais em renda e desenvolvimento local.


