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PF investiga deputado e blogueira por destruir críticas a Bolsonaro

Parlamentar e influenciadora são investigados após destruição de materiais com críticas a Flávio Bolsonaro na Universidade Federal de Roraima

A destruição de materiais políticos produzidos por estudantes dentro da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista, tornou-se alvo de investigação da Polícia Federal. O caso envolve o deputado estadual Marcinho Belota (PL) e a blogueira Athally Albuquerque (Republicanos), ex-candidata a deputada federal, e reacendeu o debate sobre liberdade de expressão, autonomia universitária e os limites da disputa eleitoral.

O episódio ocorreu na sexta-feira (16), no bloco do curso de Direito, onde estudantes haviam distribuído panfletos com informações críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Incomodados com o conteúdo, o parlamentar e a blogueira foram à universidade e questionaram a legalidade do material.

Segundo a denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), os dois procuraram inicialmente a Reitoria da UFRR para solicitar a retirada dos panfletos. A administração universitária teria avaliado que o conteúdo estava dentro dos limites permitidos pela legislação eleitoral.

Mesmo após essa manifestação, os materiais foram rasgados dentro do espaço acadêmico. A ação foi registrada em vídeos produzidos pelos próprios estudantes, que também relataram tentativas de intimidação.

A Polícia Federal confirmou que investiga o episódio, enquanto o MPF informou ter recebido uma representação dos alunos, encaminhada para análise interna.

Quem são os investigados

Marcinho Belota, nome político de Márcio Agra Belota, é deputado estadual pelo PL e foi reeleito em 4 de outubro, com 11.441 votos, a maior votação para a Assembleia Legislativa de Roraima. Conhecido pela atuação na causa animal e pela presença nas redes sociais, o parlamentar também já havia sido alvo de uma investigação eleitoral neste mês.

No dia 2 de outubro, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência como parte de uma apuração sobre suspeitas de compra de votos. Foram apreendidos equipamentos eletrônicos, documentos e aproximadamente R$ 6 mil em espécie.

Belota contestou a operação e afirmou que o dinheiro tinha origem lícita, estando relacionado a atividades de um projeto de proteção animal. A investigação não representa condenação.

A outra investigada é Athally Albuquerque, de 27 anos, blogueira identificada com a direita e ex-candidata a deputada federal pelo Republicanos. Ela ganhou visibilidade nas redes sociais por sua atuação política e participação em mobilizações conservadoras.

Ambos alegam que a presença na universidade teve como objetivo verificar denúncias de propaganda eleitoral irregular e supostas informações falsas contra Flávio Bolsonaro.

Belota afirmou que procurou a Reitoria antes de entrar no bloco de Direito e que confia no trabalho das instituições responsáveis pela investigação.

Athally, por sua vez, sustentou que a ação foi pacífica, negou depredação e afirmou que recebeu informações de que poderia acessar as dependências universitárias para verificar as denúncias.

As justificativas apresentadas pelos dois serão confrontadas com os registros em vídeo, os depoimentos e os demais elementos reunidos pelos investigadores.

Universidade repudia destruição e pede proteção

A reação da Universidade Federal de Roraima foi imediata. Em nota oficial, a instituição repudiou a invasão e a destruição de materiais no Centro Acadêmico de Direito, classificando o episódio como incompatível com os princípios de liberdade de expressão e convivência democrática.

Para a UFRR, divergências políticas fazem parte do ambiente universitário, mas não autorizam constrangimentos, intimidação ou destruição de manifestações de estudantes.

A preocupação aumentou no sábado (17), quando um segundo grupo entrou em dependências da instituição e retirou cartazes e outros materiais políticos. Segundo relatos divulgados pela universidade e pela imprensa local, a ação também provocou interrupções de atividades acadêmicas.

Diante dos episódios, a Reitoria solicitou reforço de segurança à Polícia Federal, à Polícia Rodoviária Federal e à Força Nacional, com o objetivo de preservar a integridade de estudantes, professores e servidores durante a semana do segundo turno.

O Instituto de Ciências Jurídicas da UFRR também se manifestou publicamente em defesa da liberdade de expressão e da convivência entre diferentes posições políticas.

Investigação pode alcançar a esfera eleitoral

A denúncia apresentada pelos estudantes levanta a possibilidade de enquadramento da conduta no artigo 331 do Código Eleitoral, que trata da inutilização, alteração ou perturbação de propaganda eleitoral empregada de acordo com a legislação.

A definição sobre a existência de infração dependerá da investigação e da análise das autoridades competentes, inclusive quanto à natureza e à regularidade dos materiais divulgados.

A Assembleia Legislativa de Roraima informou que ainda não havia recebido representação formal sobre o episódio. Caso seja acionada, poderá analisar eventual questão relacionada ao decoro parlamentar, sem antecipar conclusões.

O caso ocorre em um ambiente de intensa polarização política, a poucos dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25).

As divergências sobre candidatos, partidos e propostas são parte legítima do debate democrático. Quando há suspeita de irregularidade em uma manifestação eleitoral, porém, cabe aos órgãos competentes avaliar os fatos e determinar as providências legais.

A investigação na UFRR coloca em evidência justamente esse limite: o direito de contestar uma posição política não se confunde com a autorização para destruir materiais ou constranger quem pensa de maneira diferente.

Para além da apuração das responsabilidades individuais, o episódio reforça a importância de preservar as universidades como espaços de debate, pluralidade e participação democrática, especialmente em períodos eleitorais.

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