Bancadas do Norte miram 2026 enquanto STF entra na reta final do caso Bolsonaro
Em semana decisiva no Supremo, líderes do Amazonas e do Pará expõem divergências. O julgamento deve redesenhar o tabuleiro regional para 2026
O Supremo Tribunal Federal (STF) entrou esta semana na reta final do julgamento histórico de Jair Bolsonaro, acusado de cinco crimes ligados à tentativa de golpe contra o resultado das eleições de 2022. A expectativa é de que a sentença seja anunciada até sexta-feira (12/9), em uma decisão que já reverbera nas bancadas amazônicas.
No Amazonas e no Pará, parlamentares assumiram posições públicas que sinalizam como o veredicto influenciará alianças regionais e cálculos para as eleições de 2026. Enquanto setores do PL e aliados conservadores ecoam a defesa do ex-presidente e pedem anistia, lideranças do PT e parte do MDB e PSD reforçam a necessidade de responsabilização, em defesa da estabilidade institucional.
Amazonas: apoio dividido

No Amazonas, o deputado Capitão Alberto Neto (PL) tem sido uma das vozes mais ativas na defesa de Bolsonaro. Em entrevistas e redes sociais, classificou o julgamento como “teatro com toga” e participou de atos pró-anistia em Manaus. O senador Plínio Valério (PSDB) também endureceu o discurso, chamando o processo de “envergonhador” para o país.

Do outro lado, o senador Omar Aziz (PSD) reforça a linha pró-instituições: votou contra iniciativas de impeachment de ministros do STF e mantém críticas ao radicalismo bolsonarista. Já o senador Eduardo Braga (MDB) tem adotado cautela, evitando declarações contundentes, mas sinalizando um perfil de centro pragmático.
Pará: choque entre PL e PT
No Pará, o deputado Éder Mauro (PL) repete o discurso de que Bolsonaro é vítima de perseguição política, ecoando as críticas ao Supremo em suas redes. O senador Zequinha Marinho (PL) também se alinha à defesa do ex-presidente e ataca o julgamento, classificado como “processo viciado”.

Por sua vez, o senador Beto Faro (PT) defende a responsabilização dos articuladores do 8 de janeiro e já se manifestou contra a anistia ampla que tramita no Congresso. O veterano Jader Barbalho (MDB) mantém silêncio estratégico, característica de sua trajetória política, deixando espaço para negociações futuras.
O que está em jogo
Analistas apontam três cenários possíveis: condenação: fortalece narrativas de perseguição entre bolsonaristas, mas pode abrir espaço para novos líderes no Norte, menos vinculados à figura de Bolsonaro; absolvição (considerada improvável): reanimaria bases conservadoras, consolidando alianças PL–Republicanos e pressionando MDB e PSD a se reposicionarem; e condenação seguida de anistia no Congresso: testaria a coesão do centro, forçando partidos amazônicos a explicitar lados em um debate de alto custo político.
Independentemente do resultado, o julgamento já funciona como termômetro para medir a força do bolsonarismo na Amazônia e a capacidade de reorganização dos partidos diante de 2026.
Da redação


