Novos lares ampliam busca por imóveis compactos em Manaus
Imóveis menores ganham espaço no mercado com mudanças na composição das famílias e projetos que apostam em ambientes integrados e áreas compartilhadas
Apartamentos menores estão ganhando espaço no mercado imobiliário de Manaus, acompanhando uma transformação no perfil das famílias e na forma de morar. Dados recentes mostram o avanço dos domicílios com apenas um morador e, ao mesmo tempo, uma concentração das vendas e lançamentos da capital em unidades de dois dormitórios.
No Amazonas, a participação dos domicílios formados por uma única pessoa passou de 8% em 2012 para 14,1% em 2024, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A tendência acompanha um movimento nacional. Em 12 anos, a proporção de brasileiros que moram sozinhos avançou de 12,2% para 18,6% dos domicílios. Em 2024, eram 14,4 milhões de residências ocupadas por apenas uma pessoa.
Em Manaus, a mudança já encontra reflexos no mercado imobiliário. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica aponta que, entre janeiro e maio de 2026, 92,4% das unidades vendidas na capital tinham dois dormitórios.
Os imóveis com área útil entre 35 e 39 metros quadrados apareceram como a faixa de metragem mais vendida no período. No fechamento do primeiro semestre, 88% das unidades lançadas em Manaus também tinham dois quartos.
Os números ajudam a mostrar que a redução da metragem não significa necessariamente abrir mão da funcionalidade. Com menos espaço disponível, distribuição dos cômodos, iluminação, ventilação e integração dos ambientes passam a ter maior peso na concepção dos projetos.
Espaço integrado
Uma das soluções adotadas pelo mercado é reduzir barreiras entre sala, cozinha e, quando existente, varanda, criando maior continuidade visual dentro do imóvel.
Segundo o diretor de Produtos e Projeto da MRV&CO, Flávio Paulino de Andrade, a integração também permite diminuir áreas pouco aproveitadas.
“Essa estratégia elimina barreiras visuais e amplia a perspectiva do espaço. A planta integrada reduz áreas pouco aproveitadas e pode favorecer a circulação de ar e a distribuição da luz natural, de acordo com as características de cada projeto”, explica.
Outro fator que ganha importância é a localização. Para moradores de unidades menores, a proximidade de comércio, serviços, transporte e outros equipamentos urbanos pode complementar as facilidades oferecidas pelo condomínio e reduzir a necessidade de grandes estruturas dentro da residência.
Em Manaus, empreendimentos como Vista Dourada e Vista das Seringueiras estão inseridos nesse segmento.
Além do apartamento
A mudança também chegou às áreas comuns dos condomínios. Espaços de convivência, piscinas, lavanderias compartilhadas e locais destinados ao recebimento de encomendas passam a funcionar como uma extensão da área privativa.
Na MRV, por exemplo, a média de itens de lazer e convivência nos empreendimentos passou de cinco para cerca de dez desde o início de 2025. Segundo a empresa, mais de 85% dos projetos contam com piscina.
“O lazer e as áreas compartilhadas cumprem um papel importante na experiência de morar, especialmente em apartamentos compactos. Esses espaços permitem que atividades de lazer e convivência aconteçam fora do imóvel e complementam o uso do espaço privativo”, afirma Andrade.
Nesse novo desenho do mercado, a metragem deixa de ser analisada isoladamente. Para pessoas que vivem sozinhas, casais ou famílias menores, fatores como distribuição interna, estrutura compartilhada e localização passam a pesar na decisão de compra.
“Quando a metragem é compacta, cada escolha do projeto ganha importância”, resume o diretor.


